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Guerra na Ucrânia

Trump envia mísseis Patriot para a Ucrânia (mas pagos pela UE)

14 jul, 2025 - 12:13 • Reuters

"Vamos enviar-lhes sistemas Patriot, que desesperadamente precisam, porque Putin surpreende muita gente. Fala bem durante o dia e bombardeia à noite", declarou Trump aos jornalistas na base aérea de Andrews.

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O enviado especial de Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, iniciou esta segunda-feira conversações em Kiev centradas na segurança e nas sanções contra a Rússia, após o presidente norte-americano ter anunciado que enviará sistemas de defesa aérea Patriot para o país.

Num sinal claro de mudança face à sua posição anterior, Trump deverá ainda anunciar um novo plano para fornecer armas ofensivas à Ucrânia, segundo revelou o site norte-americano Axios, citando duas fontes familiarizadas com o assunto.

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Estes desenvolvimentos sublinham o crescente desencanto de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, perante a estagnação dos esforços liderados pelos EUA para alcançar um cessar-fogo na guerra da Rússia na Ucrânia, que já dura há mais de três anos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que deverá reunir-se com Kellogg na capital, tem insistido na necessidade de reforçar as capacidades defensivas da Ucrânia face aos intensos ataques de mísseis e drones lançados por Moscovo. A Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano, continua a avançar no leste e não dá sinais de abdicar dos seus objectivos estratégicos.

"Putin fala bem durante o dia e bombardeia à noite"

"Vamos enviar-lhes sistemas Patriot, que eles desesperadamente precisam, porque o Putin surpreende muita gente. Fala bem durante o dia e bombardeia à noite", declarou Trump aos jornalistas na base aérea de Andrews, nos arredores de Washington, no domingo.

"Vamos fornecer-lhes vários equipamentos militares altamente sofisticados. Eles vão pagar-nos a 100%, e é assim que queremos", acrescentou o presidente dos EUA.

Trump não especificou quantos sistemas Patriot serão enviados, mas garantiu que os custos seriam reembolsados pela União Europeia.

O presidente norte-americano deverá também reunir-se esta semana com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, para discutir, entre outros temas, a situação na Ucrânia. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, tem igualmente agendado um encontro em Washington com o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.

Berlim manifestou disponibilidade para financiar sistemas Patriot para a Ucrânia, numa proposta tornada pública pelo chanceler Friedrich Merz. A Alemanha tem-se afirmado como um ator chave no reforço da capacidade militar europeia, em resposta à crescente pressão dos EUA sobre os aliados da NATO.

Rússia não abdica dos seus objetivos iniciais

Segundo um conselheiro do Kremlin, Putin terá dito a Trump, numa conversa telefónica a 3 de Julho, que Moscovo deseja uma solução negociada para o conflito, mas que não abdica dos seus objetivos iniciais.

Há um ano, conforme reportado pela Reuters, Putin estaria disposto a um cessar-fogo que reconhecesse as linhas de frente então existentes. No entanto, nas conversações do mês passado, Moscovo impôs condições mais duras para a paz, exigindo que Kiev ceda novos territórios e aceite restrições à dimensão das suas forças armadas.


Putin justifica a invasão da Ucrânia com a necessidade de impedir a adesão do país à NATO e de evitar que esta sirva de base de ataque contra a Rússia. Kiev e os seus aliados europeus consideram esta narrativa um pretexto falacioso para uma guerra de cariz imperialista.

Zelensky revelou ter ordenado aos seus comandantes militares que forneçam a Kellogg dados sobre as capacidades militares russas e sobre as perspectivas da Ucrânia no terreno. “Defesa, reforço da segurança, armamento, sanções, proteção da população e reforço da cooperação com os Estados Unidos — há muitos temas a abordar”, escreveu Andriy Yermak, chefe do gabinete presidencial ucraniano, na plataforma Telegram.

Centenas de milhares de pessoas — civis e militares de ambos os lados — já perderam a vida ou ficaram feridas naquele que é o maior conflito terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, na frente de combate, drones ucranianos atacaram no domingo à noite um centro de formação junto à central nuclear de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, segundo a administração instalada pela Rússia. Kiev não comentou o alegado ataque.

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