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Médio Oriente

Bebé de seis semanas entre 15 palestinianos que morreram de fome em Gaza

22 jul, 2025 - 16:43 • João Pedro Quesado com Reuters

Membros da equipa das Nações Unidas, assim como médicos e trabalhadores humanitários, estão a desmaiar enquanto trabalham em Gaza, devido à fome e exaustão. Associação de jornalistas da AFP alertou na segunda-feira para o risco da morte de jornalistas por fome.

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Um bebé de seis semanas está entre as 15 pessoas que morreram de fome na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas, segundo as autoridades de saúde locais. A desnutrição causada pela falta de alimentos está a matar palestinianos mais rápido do que em qualquer outro momento da guerra entre Israel e o Hamas, que dura há 21 meses.

A criança morreu num hospital no norte de Gaza, e foi identificada como Yousef al-Safadi. Três das outras crianças também eram crianças, incluindo Abdulhamid al-Ghalban, de 13 anos, que morreu num hospital na cidade de Khan Younis, no sul do país. As outras duas crianças não foram identificadas.

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As autoridades de saúde palestinianas dizem que pelo menos 101 pessoas morreram de fome durante o conflito, incluindo 80 crianças. A maioria das mortes ocorreu nas últimas semanas.

Israel controla todo o fornecimento de ajuda humanitária ao enclave, onde a maior parte da população já foi deslocada diversas vezes, e enfrenta uma grave escassez de necessidades básicas.

O chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos, a UNRWA, disse esta terça-feira que os membros da equipa das Nações Unidas, assim como médicos e trabalhadores humanitários, estão a desmaiar em serviço em Gaza, devido à fome e exaustão.

Em comunicado, Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, afirmou que "ninguém é poupado: os cuidadores em Gaza também precisam de cuidados. Médicos, enfermeiros, jornalistas e humanitários estão com fome".

Apesar da condenação internacional dos assassinatos em massa de civis e da grave escassez de ajuda em Gaza, não há sinal de interrupção do conflito ou de um aumento significativo do fornecimento de ajuda humanitária.

Na segunda-feira, a associação de jornalistas da Agência France-Press (AFP) alertou que os colegas a trabalhar na Faixa de Gaza correm risco de fome, e que, "sem intervenção, os últimos repórteres em Gaza vão morrer".

"Vemos a situação deles a piorar", afirmou a associação. "São jovens, e a força está a abandoná-los. A maioria já não tem a capacidade física de viajar no enclave para fazer o seu trabalho. As chamadas dilacerantes deles a pedir ajuda são agora diárias".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse esta terça-feira que as imagens de civis mortos durante a distribuição de ajuda eram "insuportáveis", e pediu a Israel que cumprisse as promessas de melhorar a situação. Contudo, não especificou que medidas os países europeus podem tomar para forçar o cumprimento das promessas e do direito internacional.

António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou perante o Conselho de Segurança que “estamos a testemunhar o último suspiro de um sistema humanitário construído com base em princípios humanitários”, que está a ser “privado das condições para funcionar", "privado do espaço para cumprir" e "privado da segurança para salvar vidas”.

O exército israelita disse que "considera a transferência de ajuda humanitária para Gaza uma questão de extrema importância", e que trabalha para facilitar sua entrada em coordenação com a comunidade internacional. Israel nega ainda as acusações de que está a impedir a chegada de ajuda a Gaza e acusou o grupo militante palestiniano Hamas de roubar comida, uma alegação que o Hamas nega.

Hospitais incapazes de tratar pessoas desnutridas

"Os hospitais já estão sobrecarregados com o número de vítimas de tiros. Eles não conseguem fornecer muito mais ajuda para os sintomas relacionados com fome provocados pela escassez de alimentos e medicamentos", disse Khalil al-Deqran, porta-voz do Ministério da Saúde local, liderado pelo Hamas.

Deqran afirmou que cerca de 600 mil pessoas sofrem de desnutrição, incluindo pelo menos 60 mil mulheres grávidas. Os sintomas entre aqueles que passam fome incluem desidratação e anemia.

De acordo com grupos de ajuda, médicos e moradores, a fórmula infantil, em particular, está em escassez crítica.

Israel diz que os ataques a Gaza têm como objetivo destruir o Hamas, que realizou o ataque mais mortal na história de Israel em 7 de outubro de 2023, matando pelo menos 1.200 israelenses, incluindo civis. Bombas e tiros israelitas mataram quase 60.000 pessoas em Gaza desde então, de acordo com as autoridades de saúde locais.

Esta terça-feira, bombardeamentos de tanques mataram mais 16 pessoas que viviam em tendas na Cidade de Gaza, enquanto tropas israelitas lançavam ataques em toda a Faixa, segundo as autoridades de saúde. O exército israelita afirmou não ter conhecimento de nenhum incidente ou presença de artilharia na área naquele momento.

O Ministério da Saúde disse que pelo menos 72 palestinianos foram mortos por tiros e ataques militares israelitas nas últimas 24 horas.

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