Guerra na Ucrânia
Ciberataque de hackers pró-Ucrânia provoca caos em aeroporto de Moscovo
28 jul, 2025 - 13:22 • Miguel Marques Ribeiro com Reuters
Kremlin classifica a situação na companhia de "alarmante" e não exclui a hipótese de novos ciberataques às principais empresas do país.
A companhia aérea russa Aeroflot foi obrigada a cancelar 50 voos esta segunda-feira, depois de ter sido alvo de um ciberataque reivindicado por hackers pró-ucranianos.
Até ao momento, a companhia estatal de aviação não forneceu detalhes sobre a ação que afetou o tráfego aéreo no país, numa altura em que muitas famílias russas se preparavam para partir de férias, mas admitiu uma falha nos seus sistemas de informação.
No aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, os painéis de partidas e chegadas encheram-se de linhas a vermelho indicando cancelamentos ou atrasos nas viagens previstas. O caos instalou-se: centenas de passageiros ficaram retidos, enquanto outros tiveram de esperar em longas filas até conseguiram sair do terminal.
Peskov: todas as grandes empresas estão sob ameaça
Segundo a Agência TASS, o Kremlin reconheceu que a situação era “deveras alarmante”. Falando ao jornalistas, o porta-voz Dmitry Peskov afirmou que “a ameaça dos hackers persiste para todas as grandes empresas que prestam serviços à população”, um indicador de que as autoridades russas não excluem a existência de novos ataques.
Por sua vez, a procuradoria russa confirmou que os problemas da companhia aérea foram resultado de um ciberataque e que uma investigação criminal está a decorrer.
Um grupo de alegados hackers chamado Silent Crow reivindicou a ação, explicando que a mesma foi realizada em conjunto com um outro grupo bielorrusso chamado Cyberpartisans BY.
A guerra na Ucrânia terá estado na origem do ciberataque: "Glória à Ucrânia! Vida longa à Bielorrússia!", lê-se no comunicado, cuja autenticidade a Reuters não conseguiu verificar.
7 mil servidores destruídos
Os hackers do Silent Crow estão cada vez mais ativos contra o tecido empresarial russo. Desde o início do ano, assumiram responsabilidade por ataques à base de dados de uma imobiliária russa, a uma empresa estatal de telecomunicações, a uma grande seguradora, ao departamento de Tecnologias da Informação do governo e ao escritório russo da fabricante automóvel sul-coreana KIA. Alguns destes ataques resultaram em fugas de grandes quantidades de dados.
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Segundo o comunicado do Silent Crow, o ciberataque à Aeroflot demorou um ano a preparar e conseguiu penetrar na rede interna da companhia aérea, destruir 7 mil servidores e permitir o acesso aos computadores pessoais dos empregadores, incluindo de gestores seniores.
O grupo de hackers ameaçou ainda começar a divulgar em breve "os dados pessoais de todos os russos que já voaram pela Aeroflot".
Voos cancelados e atrasados
A maioria dos 50 voos cancelados iriam operar dentro da Rússia, mas também houve viagens com destino à capital bielorrussa, Minsk, e à capital arménia, Yerevan, que ficaram em terra. Pelo menos outros 10 voos foram atrasados.
“Os especialistas estão a trabalhar para minimizar o impacto na programação dos voos e restaurar as operações normais dos serviços”, garantiu a empresa.
Apesar das sanções ocidentais à Rússia, que limitaram drasticamente as viagens e as rotas, a Aeroflot continua a figurar entre as 20 maiores companhias aéreas do mundo em número de passageiros. No ano passado transportou 55,3 milhões de pessoas, de acordo com o seu site.
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