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Tailândia e Camboja acordam com cessar-fogo "imediato e incondicional"

28 jul, 2025 - 12:49 • Lusa

Os dois países estavam em conflito aberto desde quinta-feira, depois de eclodirem confrontos na fronteira entre os respetivos exércitos.

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A Tailândia e o Camboja acordaram esta segunda-feira “um cessar-fogo imediato e incondicional”, anunciou o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que presidiu às negociações.

O cessar-fogo põe fim a cinco dias de confrontos na fronteira, que provocaram pelo menos 35 mortos e cerca de 350 mil deslocados.

Os dois países estavam em conflito aberto desde quinta-feira, depois de eclodirem confrontos na fronteira entre os respetivos exércitos, sendo que ambos os lados se acusam mutuamente de terem iniciado a violência.

“O Camboja e a Tailândia chegaram a um acordo conjunto que prevê um cessar-fogo imediato e incondicional, com efeitos a partir da meia-noite de 28 de julho de 2025, esta noite”, disse Anwar, na qualidade de presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da qual Banguecoque e Phnom Penh são membros.

O anúncio foi feito no final de uma reunião entre os primeiros-ministros da Tailândia e do Camboja, Phuntham Wechayachai e Hun Manet, respetivamente.

O líder malaio garantiu que da reunião resultaram discussões positivas que culminaram no compromisso de restaurar a paz e a segurança nas zonas fronteiriças.

Hun Manet e Phuntam celebraram o resultado da reunião e apertaram as mãos no final de uma breve conferência de imprensa à porta da residência oficial do primeiro-ministro malaio, onde decorreram as negociações.

Os combates deflagraram após a explosão de uma mina terrestre junto à fronteira, que feriu cinco soldados tailandeses, tendo os dois lados acusado o outro pelo início dos confrontos e ambos chamado os seus embaixadores.

A Tailândia fechou todas as passagens fronteiriças com o Camboja, deixando atravessar apenas trabalhadores cambojanos migrantes que regressavam a casa.

As tropas de ambos os lados relataram combates em curso hoje de madrugada, ao longo das áreas fronteiriças.

Anwar disse no domingo à noite que ambos os lados iriam apresentar as suas condições de paz, mas que “o importante era [obter] um cessar-fogo imediato”.

“Espero que isto funcione”, afirmou, citado pela agência de notícias nacional malaia Bernama.

“Embora não seja tão grave como em muitos outros países, precisamos de pôr fim [à violência]".

A reunião em Kuala Lumpur aconteceu após pressão direta do Presidente norte-americano, Donald Trump, que avisou que os Estados Unidos podiam não avançar com acordos comerciais com nenhum dos dois países se as hostilidades continuassem.

Antes de partir para a capital malaia, Phuntham disse aos jornalistas em Banguecoque que representantes da China e dos Estados Unidos também iriam participar como observadores.

A violência marca um exemplo raro de confronto militar aberto entre Estados-membros da ASEAN, um bloco regional de 10 nações que se orgulha de não ter casos de agressão, dando prioridade ao diálogo pacífico e à cooperação económica.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN reiteraram a preocupação com o aumento do número de mortos causado pelo conflito, a destruição de propriedade pública e a deslocação de um grande número de pessoas ao longo das zonas fronteiriças disputadas.

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