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ONU debate estado palestiniano sem EUA e Israel

29 jul, 2025 - 08:35 • Henry Galsky, correspondente da Renascença no Médio Oriente Lusa

Segundo o departamento de Estado norte-americano, a conferência é uma "manobra imprudente que irá fortalecer ainda mais o Hamas e que prejudica os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra".

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Organizada por França e Arábia Saudita, a conferência que ocorre na sede das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, tem como objetivo reafirmar o compromisso pela solução de dois estados - Israel e Palestina - de forma a acabar com o conflito.

A conferência estava prevista para acontecer em junho, mas foi adiada devido à guerra entre Israel e Irão.

Estados Unidos e Israel não participam do evento por razões semelhantes: ambos consideram que a criação de um estado palestiniano seria uma recompensa ao Hamas, após os ataques do grupo palestiniano a Israel a 7 de outubro de 2023.

Segundo o departamento de Estado norte-americano, a conferência é uma "manobra imprudente que irá fortalecer ainda mais o Hamas e que prejudica os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra". Os EUA já definiram o evento como "um golpe publicitário"

Já a missão de Israel na ONU afirma que a cimeira "não condena o Hamas e não aborda em primeiro lugar a questão dos reféns israelitas" ainda em mantidos em cativeiro pelo grupo palestiniano.

O peso da Palestina na disputa política israelita

Apesar da grande disputa interna na política israelita, mesmo o líder da oposição ao governo de Benjamin Netanyahu, Yair Lapid, mantém a mesma posição: "Os palestinianos não devem ser recompensados pelo 7 de Outubro e por apoiar o Hamas", disse.

A declaração de Lapid é representativa dos principais personagens políticos de Israel. Após o 7 de outubro e com reféns ainda mantidos em cativeiro, o debate em torno da criação de um estado palestiniano praticamente desapareceu da agenda dos partidos que podem formar as maiores bancadas no Knesset - o parlamento israelita.

O tema, que já era foco de polémica mesmo antes dos ataques do Hamas que deram início ao atual ciclo de violência, tornou-se ainda mais complexo, embora organizações de direitos humanos em Israel e grupos pacifistas falem abertamente sobre o assunto.

Mas, no jogo político, a situação é diferente; a possibilidade de eleições antecipadas continua a existir. E, mesmo que o calendário seja mantido e a coligação de Netanyahu não se desfaça, o pleito de outubro de 2026 será o primeiro depois de 7 de outubro de 2023.

Os atores políticos estão a evitar declarações que possam ser usadas pelos adversários - inclusive sobre um estado palestiniano. Este é um tema que ganhou novo significado no contexto atual.

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