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Guerra no Médio Oriente

Israel arquivou quase 90% das investigações a crimes de guerra em Gaza

02 ago, 2025 - 20:46 • Diogo Camilo

Das 52 investigações a suspeitas de crimes de guerra ou abusos cometidos pelo exército israelita, apenas uma terminou com sentença de prisão contra o acusado.

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Cerca de nove em cada dez investigações de Israel a suspeitas de crimes de guerra ou abusos cometidos pelo exército na Faixa de Gaza e na Cisjordânia acabaram arquivadas sem que fosse atribuída qualquer culpa ou não conheceram sequer decisão.

Um relatório da organização Action on Armed Violence (AOAV) refere que, entre outubro de 2023 e junho de 2025 foram reportados 52 incidentes que levaram o exército israelita a abrir investigação ou em que foram reportadas alegações graves de abusos a civis em Gaza.

Destes, apenas um terminou com sentença de prisão contra o acusado, enquanto apenas seis resultaram na admissão de culpa - três deles levaram soldados a serem dispensados e repreendidos. Num deles, um coronel e um major das Forças de Defesa de Israel foram demitidos em abril de 2024 e três outros comandantes foram repreendidos dias depois de sete trabalhadores humanitários da World Central Kitchen terem sido mortos num ataque aéreo.

Nos restantes casos, sete (13% do total) foram arquivados sem que fossem encontrados quaisquer sinais de crime. Em 39 situações, os casos mantêm-se "em análise", incluindo quatro incidentes mortais ocorridos no último mês.

Entre as investigações não resolvidas estão o assassinato de pelo menos 112 palestinianos que estavam numa fila para receber farinha na Cidade de Gaza, em fevereiro de 2024, ou um ataque aéreo que matou 45 pessoas num incêndio num campo de tendas em Rafah, em maio de 2024.

Um dos casos que continua sem conhecer decisão é a morte de 31 palestinianos que se dirigiam a um ponto de distribuição de alimentos em Rafah, a 1 de junho de 2025.

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