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Zelensky recusa ceder território no Leste da Ucrânia

12 ago, 2025 - 21:54 • Ricardo Vieira, com Reuters

Presidente ucraniano considera que tal medida privaria Kiev das suas linhas de defesa e abriria caminho a novas ofensivas por parte de Moscovo. Posição reafirmada antes do encontro entre Trump e Putin, marcado para sexta-feira.

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O Presidente ucraniano afirmou esta terça-feira que rejeitará qualquer proposta da Rússia que implique a retirada das forças ucranianas da região do Donbass. no leste do país.

Volodymyr Zelensky considera que tal medida privaria Kiev das suas linhas de defesa e abriria caminho a novas ofensivas por parte de Moscovo.

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Em declarações aos jornalistas, o líder ucraniano sublinha que as questões territoriais devem ser discutidas apenas após acordo de cessar-fogo com a Rússia.

Defende ainda que as garantias de segurança para a Ucrânia devem ser parte integrante dessas conversações.

Zelensky falava aos jornalistas na contagem decrescente para a muito aguardada cimeira entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o chefe de Estado russo, Vladimir Putin. A reunião está marcada para sexta-feira em Anchorage, no Alasca.

O jornal britânico The Telegraph, citando uma fonte diplomática europeia, avançou que a Ucrânia poderá aceitar um cessar-fogo e ceder território já controlado pela Rússia — Luhansk, Donetsk, Zaporíjia, Kherson e Crimeia — como parte de um plano de paz apoiado pela Europa.

Trump sugeriu recentemente que uma troca de territórios poderia fazer parte de um eventual acordo de paz — uma ideia que Kiev contesta veementemente.

Zelensky revelou que a proposta russa consiste em travar os avanços noutras regiões da Ucrânia em troca da retirada das tropas ucranianas do Donbass, região que inclui os oblasts de Donetsk e Luhansk, atualmente sob intenso conflito.

Segundo o Presidente, a Ucrânia ainda controla cerca de 30% da região de Donetsk — aproximadamente 9.000 quilómetros quadrados —, onde mantém linhas de defesa fortificadas e posições estratégicas em terrenos elevados.

Qualquer retirada, advertiu Zelensky, criaria uma plataforma para novas ofensivas russas.

"Putin teria via aberta tanto para as regiões de Zaporizhzhia como para Dnipro. E também para Kharkiv", alerta. "A questão territorial não pode ser dissociada das garantias de segurança", sublinha o Presidente ucraniano.

"Um exercício de escuta" para Trump

Antes do encontro com Putin, o Presidente norte-americano vai participar numa reunião virtual sobre a Ucrânia, marcada para quarta-feira, segundo fonte da Casa Branca.

A Alemanha avançou que vai promover uma série de reuniões por vídeoconferência para preparar a cimeira, incluindo uma conversa entre líderes europeus, Zelensky, Donald Trump e o vice-presidente norte-americano, JD Vance.

Entretanto, a porta-voz da Casa Branca afirma que a cimeira entre Donald Trump e Vladimir Putin "será um exercício de escuta para o Presidente", moderando as expetativas em relação a um acordo de cessar-fogo.

"Somente uma das partes envolvidas nesta guerra estará presente, então cabe ao Presidente ir lá e obter, novamente, uma compreensão mais firme e melhor de como podemos, esperançosamente, dar fim a esta guerra", disse Karoline Leavitt.

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