Enquanto Putin fala em paz “justa”, Zelensky já antecipa nova vaga de ataques
16 ago, 2025 - 17:58 • Fábio Monteiro com Lusa e Reuters
Putin e Zelensky reagiram de forma quase totalmente oposto à cimeira no Alasca. O Presidente russo pediu, este sábado, uma solução “justa”, o ucraniano alertou para ataques iminentes.
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, saudou como “muito útil” a cimeira realizada na sexta-feira com Donald Trump, afirmando que nela foram discutidas formas de alcançar uma paz “justa” na Ucrânia, com base na eliminação das causas do conflito.
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“Tivemos a oportunidade, e aproveitámo-la, de discutir as origens e as causas desta crise [a guerra na Ucrânia]. É precisamente a eliminação das causas iniciais que deve ser a base da solução”, disse Putin, numa reunião no Kremlin com membros do Governo, da administração presidencial, da Duma e representantes ministeriais.
O chefe de Estado russo sublinhou que a conversa com o antigo Presidente norte-americano foi “oportuna” e decorreu num momento certo para abordar os fundamentos da guerra.
Em contraste, o Presidente da Ucrânia mostrou-se apreensivo com as consequências do encontro, prevendo um agravamento da ofensiva russa nos próximos dias.
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“O inimigo está a preparar novos ataques para fortalecer politicamente Putin”, declarou Volodymyr Zelensky, após uma reunião com os altos comandos militares.
Segundo Kiev, foram detetados “movimentos e preparativos” por parte das forças russas no leste da Ucrânia, particularmente na região de Donetsk, onde Zelensky admite situações “extremamente difíceis” no terreno.
O Presidente ucraniano advertiu que o seu país poderá responder às ofensivas com “contra-ataques assimétricos, se necessário”, mantendo o direito à defesa.
A cimeira do Alasca terminou sem qualquer entendimento entre Putin e Trump sobre a guerra. O antigo Presidente dos EUA deixou cair o apelo a um cessar-fogo imediato e passou a defender uma “negociação direta” para alcançar a paz, sem imposições prévias.
Zelensky, que falou com Trump por telefone após o encontro, limitou-se a dizer que as posições estão agora “claras” para todas as partes envolvidas. “Devemos alcançar uma paz real, duradoura, e não apenas mais uma pausa entre invasões russas”, escreveu nas redes sociais.
Está agendada para segunda-feira, em Washington, uma reunião entre Zelensky e Donald Trump.
Putin quer controlo total de Donetsk
De acordo com uma fonte citada pela agência Reuters, Trump disse a Zelensky que Putin estaria disposto a congelar a maioria das frentes de combate, desde que a Ucrânia cedesse o controlo total da região de Donetsk, uma das principais ambições territoriais do Kremlin.
Zelensky terá rejeitado a exigência, segundo a mesma fonte. A Rússia já controla cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo aproximadamente três quartos da província de Donetsk, ocupada parcialmente desde 2014.
Trump terá ainda referido que concordou com Putin na ideia de procurar um acordo de paz sem que seja necessário um cessar-fogo prévio, contrariando a posição que tem sido defendida até agora por Kiev, pela União Europeia e pelo anterior apoio dos EUA.
“Foi determinado por todos que a melhor forma de acabar com a horrível guerra entre a Rússia e a Ucrânia é avançar directamente para um Acordo de Paz, e não para um simples Acordo de Cessar-Fogo, que muitas vezes não se sustenta”, escreveu Trump na rede "Truth Social".
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