Na China, há quem pague para trabalhar – só que a empresa é de brincar
16 ago, 2025 - 21:55 • Redação
Fenómeno cresce nas principais cidades chinesas: jovens desempregados pagam para estar em escritórios, em vez de ficarem em casa. Objetivo passa por manter rotinas, procurar emprego ou simplesmente parecer ocupado.
Na China, um número crescente de jovens adultos desempregados está a aderir a um fenómeno peculiar: pagar para fingir que têm um emprego.
Os chamados “escritórios de faz-de-conta” estão a surgir em várias cidades, oferecendo um ambiente profissional a quem se recusa a ficar parado em casa, relata a “BBC” este sábado.
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A realidade por trás desta tendência é o cenário económico adverso do país, com uma taxa de desemprego jovem superior a 14%. Muitos recorrem a estes espaços como forma de manter uma rotina e, em alguns casos, iludir a família ou instituições.
Na cidade de Dongguan, Shui Zhou, de 30 anos, paga 30 yuans por dia (cerca de 3,90 euros) para frequentar a “Pretend To Work Company”, uma empresa que simula um ambiente de escritório.
“Sinto-me muito feliz. É como se estivéssemos a trabalhar em grupo”, conta.
Estes espaços, em geral, estão equipados com computadores, acesso à internet, salas de reuniões e áreas de convívio. Além de oferecerem estrutura para quem procura emprego ou tenta lançar um negócio, alguns incluem refeições e snacks no valor diário cobrado, que varia entre os 30 e os 50 yuans.
“O fenómeno de fingir que se trabalha é agora muito comum”, disse Christian Yao, especialista na economia chinesa, à “BBC”. “Estes espaços são soluções de transição para jovens que precisam de tempo e estrutura para pensar nos próximos passos.”
Para alguns, a ilusão serve também fins académicos. Em Xangai, Xiaowen Tang, de 23 anos, usou um destes escritórios para simular um estágio exigido pela universidade. Durante um mês, pagou a presença diária enquanto escrevia romances online.
“Se é para fingir, que se finja até ao fim” diz.
O criador da empresa de Dongguan, conhecido por Feiyu, diz que mais do que aluguer de espaços, o que oferece é “dignidade”.
Após ter ficado desempregado durante a pandemia, lançou o projeto como uma “experiência social”, onde já acolhe dezenas de utilizadores: desde licenciados recentes a freelancers digitais.
“Usa-se a mentira para manter a respeitabilidade, mas é possível encontrar alguma verdade”, justifica.
- Noticiário das 12h
- 12 jun, 2026








