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Guerra na Ucrânia

Europa tem de combater "o vírus da negociação" de Putin junto de Trump

18 ago, 2025 - 14:40 • Rita Vila Real

No encontro desta segunda-feira na Casa Branca, vários líderes europeus juntam-se a Zelensky. Manuel Poêjo Torres diz que a Ucrânia "tem de jogar um tango muito perigoso com Donald Trump" para garantir "uma paz justa".

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"Combater o vírus da negociação de Vladimir Putin" é a missão de Zelensky e dos líderes europeus que se encontram esta segunda-feira com Donald Trump na Casa Branca, como refere o analista Manuel Poêjo Torres em declarações à Renascença.

"Depois de Donald Trump ter sido contaminado pelo vírus da negociação com Vladimir Putin, quem tem que passar agora mensagens-chave de interesse da agenda europeia são precisamente estes líderes", diz Poêjo Torres.

O analista indica que não se pode "oferecer a paz à Ucrânia" quando é o agressor que mostra interesse em "suspender as hostilidades para poder renovar-se militarmente no terreno". O investigador sublinha que se vive "um momento perigoso" em que a Ucrânia "tem de jogar um tango muito perigoso com Donald Trump" para garantir "uma paz justa" que garanta "condições de segurança".

O investigador refere que o encontro desta segunda-feira é um momento "absolutamente inédito e histórico" para a política internacional. "Não temos guias históricas que nos informem sobre o que pode acontecer quando os maiores líderes da Europa se reúnem em torno de um pequeno Estado agredido junto da Casa Branca".

Poêjo Torres relembra " a armadilha política" que foi o encontro entre Trump e Zelensky, onde "a humilhação se tornou "um momento capital da história política do século XXI", e que comprova às forças europeias que "do outro lado do Atlântico pode já não se encontrar o parceiro tradicional clássico que impôs e que solidificou as relações atlânticas do século XX". A liderança de Trump obriga a Europa a ter uma voz "com mais vigor, com mais rigor e com a capacidade de se opor diretamente aos Estados Unidos da América".

"Hoje não se fala da Ucrânia sem se falar da Europa e não se trata a Europa sem se tratar da Ucrânia", refere Poêjo Torres, que refere que esta união pode "criar no Presidente americano um sentimento de cerco político". Em contrapartida, o analista acredita que Donald Trump é o centro de gravidade político do mundo ocidental e que em si reúne todos os líderes do mundo. Não apenas do mundo liberal, mas também do mundo iliberal".


A "comitiva europeia" que é recebida esta segunda-feira na Casa Branca "não é uma comitiva qualquer": "Sir Keith Starmer, Emmanuel Macron, Frederick Merz, Meloni, Alexander Stubb, da Finlândia, Ursula von der Leyen e, claro, o secretário-geral da NATO, que vai representar todos os outros Estados que não estão presentes".

Poêjo Torres diz que "cada um deles tem uma missão e todos juntos têm um objetivo claro de defender os seus interesses que passam por não entregar numa bandeja dourada a Ucrânia os territórios anexados à Rússia".

O historiador alerta, porém, que neste momento, "o cessar fogo não funciona para nenhuma das partes", mas que "ainda assim, é capaz de ter mais resultados a médio e longo prazo do que uma paz podre" que potencie "o contínuo desenvolvimento militar da Ucrânia e a renovação de forças por parte da Rússia". Neste momento, como afirma Poêjo Torres, "a paz, quando os pratos da balança estão em equilíbrio, é uma paz que não vai ter grandes resultados".

Desta reunião, tem de sair "obrigatoriamente, um realinhamento estratégico e um acordo entre os Estados atlânticos de um mecanismo de proteção, um mecanismo real de proteção, aos interesses da Ucrânia".

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