Médio Oriente
Israel revoga vistos de alguns diplomatas australianos
18 ago, 2025 - 15:53 • Reuters
Austrália entre os países que vão reconhecer o Estado da Palestina. Canberra impôs sanções a dois ministros israelitas. Israel promete “examinar cuidadosamente” pedidos de visto australianos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel anunciou esta segunda-feira que revogou os vistos de diplomatas australianos junto da Autoridade Palestiniana, na sequência da decisão de Camberra de reconhecer o Estado da Palestina e de cancelar o visto de um deputado da coligação governamental de Benjamin Netanyahu.
O governo australiano declarou ter anulado o visto de um parlamentar da coligação de Netanyahu que se opõe à criação de um Estado palestiniano e defende a anexação da Cisjordânia ocupada por Israel.
O chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar, afirmou que o embaixador da Austrália em Israel já foi informado da decisão de revogar os vistos dos representantes australianos junto da Autoridade Palestiniana.
Tal como outros países, a Austrália mantém uma embaixada em Telavive e um gabinete de representação junto da Autoridade Palestiniana na cidade cisjordaniana de Ramallah.
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"Instrui igualmente a embaixada israelita em Camberra a examinar cuidadosamente qualquer pedido oficial de visto australiano para entrada em Israel", escreveu Saar na rede X, classificando a recusa australiana em conceder vistos a alguns israelitas como “injustificável”.
O governo australiano ainda não comentou.
O Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros emitiu entretanto um comunicado a condenar a decisão israelita, considerando-a ilegal e “em violação do direito internacional”.
A Austrália deverá reconhecer formalmente o Estado da Palestina no próximo mês, medida que, segundo o governo, pretende contribuir para um novo impulso internacional em favor da solução de dois Estados, de um cessar-fogo em Gaza e da libertação dos reféns detidos por militantes palestinianos.
“Quem vier para promover mensagens de ódio e divisão não será bem-vindo”
Simcha Rothman, deputado do partido Sionismo Religioso, liderado pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, da extrema-direita, tinha prevista uma visita à Austrália este mês a convite de uma organização judaica conservadora.
Rothman disse ter sido informado de que o seu visto foi cancelado devido a declarações consideradas pelo governo australiano como controversas e incendiárias, incluindo a sua afirmação de que a criação de um Estado palestiniano levaria à destruição de Israel e a sua defesa da soberania israelita sobre a Cisjordânia.
"Nada do que eu disse não foi já repetido inúmeras vezes pela esmagadora maioria da opinião pública e pelo próprio Governo de Israel", declarou o deputado à Reuters, por telefone.
Segundo Rothman, as autoridades australianas avisaram-no de que as suas posições poderiam causar mal-estar entre a comunidade muçulmana no país. Questionado sobre a decisão de Camberra de reconhecer a Palestina, considerou tratar-se de um “grave erro e uma enorme recompensa para o Hamas e para o terrorismo”.
O ministro australiano dos Assuntos Internos, Tony Burke, afirmou em comunicado que o governo adota uma posição firme contra quem procure fomentar divisões no país: “Quem vier para promover mensagens de ódio e divisão não será bem-vindo. Sob o nosso governo, a Austrália será um país onde todos podem estar seguros e sentir-se seguros", acrescentou.
O ministério não prestou mais comentários.
Robert Gregory, director executivo da Associação Judaica Australiana, explicou que Rothman tinha sido convidado para se encontrar com membros da comunidade judaica e demonstrar solidariedade perante “uma onda de antissemitismo”.
Em junho, a Austrália e outros quatro países impuseram sanções a Smotrich e ao ministro da Segurança Interna, Itamar Ben-Gvir, acusando-os de incitar repetidamente à violência contra palestinianos na Cisjordânia.
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