Diplomacia
"Há muito trabalho pela frente." Costa quer garantir que reunião entre Zelensky e Putin acontece
19 ago, 2025 - 14:04 • Ana Kotowicz com Ângela Roque
Conselho Europeu reuniu-se para analisar os últimos desenvolvimentos no conflito entre Kiev e Moscovo, depois dos encontros dos últimos dias entre líderes europeus e Trump.
Haver um encontro entre Putin e Zelensky é "um enorme avanço" em direção à paz. Essa é a convicção de António Costa, presidente do Conselho Europeu que, esta terça-feira, falava aos jornalistas, depois de uma reunião dos líderes europeus. No entanto, considerou que a situação na Ucrânia ainda está num ponto crítico e ainda "há muito trabalho pela frente".
Entre os membros da União Europeia, discutiu-se o que de concreto se pode fazer: manter a pressão sobre a Rússia para que não se desvie do caminho da paz, ajudar a Ucrânia a fortalecer a sua segurança, através da criação de um exército robusto, e continuar a discutir o alargamento da UE para receber Kiev. “A base das garantias de segurança são as forças armadas ucranianas”, disse Costa.
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Além disso, e frisando que a UE está ao lado do Presidente norte-americano nos esforços em busca da paz, Costa disse ser fundamental trabalhar para que os encontros diplomáticos, a começar pelo de Zelensky e Putin, se concretizem.
Importa trabalhar para que reuniões avançem
"Só a possibilidade de haver um encontro entre Putin e Zelensky é um enorme avanço", disse António Costa, sublinhando que é fundamental que a Europa trabalhe para que essa reunião tenha lugar. Além disso, acrescentou o presidente do Conselho Europeu, importa trabalhar num encontro trilateral, onde Donald Trump também deverá estar presente, e, depois, numa nova reunião que conte com a presença dos líderes europeus.
António Costa falava aos jornalistas, na delegação de Lisboa, depois de os líderes europeus se terem reunido, esta terça-feira, por videoconferência para analisar os últimos desenvolvimentos sobre a situação na Ucrânia.
A reunião acontece depois de vários líderes europeus se terem deslocado a Washington, na segunda-feira, para acompanhar Volodymyr Zelensky que se encontrou com o Presidente norte-americano. A esse encontro seguiu-se um outro onde estiverem também presentes os líderes de Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Finlândia, União Europeia e NATO.
O principal resultado foi a promessa de um encontro bilateral entre os Presidentes Putin e Zelensky, a que se deverão seguir outros. Primeiro, um trilateral, com Donald Trump presente. Depois, um multilateral com os líderes europeus.
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“Vamos lá a ver, importa pouco qual é o nosso estado de espírito. Trabalhamos com os factos. Ontem, Trump transmitiu que depois de um contacto com o Presidente Putin havia a possibilidade de uma reunião bilateral entre Zelensky e Putin. Só a existência dessa possibilidade é em si um facto bastante positivo”, insistiu António Costa.
“Até ao momento o Presidente Putin nunca aceitou essa possibilidade”, recordou o presidente do Conselho Europeu.
“Agora, a haver essa possibilidade, é um enorme avanço, mas todos temos de trabalhar para que essa possibilidade se transforme em realidade, para que reunião tenha lugar, que seja bem sucedida e para que possamos avançar para uma reunião trilateral entre o Presidente Putin, o Presidente Zelensky e o Presidente Trump e para que haja momento em que que haja discussão com a UE sobre a segurança da Europa.”
O que pode a UE fazer?
"Há muito trabalho pela frente", defendeu o presidente do Conselho Europeu, considerando que a situação na Ucrânia está num ponto crítico.
Durante a videoconferência, o Conselho Europeu debateu várias questões, esclareceu Costa, nomeadamente a necessidade de que os ataques parem, de retomar a troca de prisioneiros, e avançar "na devolução das crianças que foram raptadas e estão desaparecidas".
Além disso, frisou a necessidade de preparar garantias de segurança para um cenário pós-guerra. "Foi particularmente importante o Presidente Trump ter confirmado a disponibilidade dos EUA para participar nas garantias de segurança”, disse Costa.
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Entre os líderes europeus, foi também discutido o que "de concreto pode a UE fazer para apoiar os esforços de paz do Presidente Trump" e para credibilizar o processo.
A conclusão é a de que é necessário "reforçar a pressão sobre a Rússia" — e para isso foi discutido o 19.º pacote de sanções àquele país — , ajudar a Ucrânia a reforçar a sua segurança e ainda “avançar no processo de alargamento [da UE], visto que o futuro da Ucrânia não são medidas de segurança, é também a perspetiva de estabilidade, de desenvolvimento e prosperidade que acesso à UE assegurará”, concluiu António Costa.
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