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Guerra na Ucrânia

Macron diz que Putin é um "ogre" e um "predador" às portas da Europa

19 ago, 2025 - 12:45 • Ana Kotowicz

“Não devemos ser ingénuos", disse Macron ao canal TF1. "O Presidente Putin raramente cumpriu os seus compromissos.”

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Ainda mal a cadeira onde Emmanuel Macron se sentou na Casa Branca tinha arrefecido, e já o Presidente francês dava uma entrevista ao TF1. Ogre, predador, homem que não cumpre os compromissos. Foram vários os adjetivos (e as expressões) pouco abonatórios que o chefe de Estado usou para se referir ao Presidente russo. E deixou-lhe um recado: “Se a Rússia decidir voltar a provocar nos limites da Europa após um acordo de paz, haverá uma reação."

Na entrevista de pouco mais de 16 minutos, Macron falou da reunião que vários líderes europeus — que serviram de escolta ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky — tiveram com Donald Trump, esta segunda-feira, na Casa Branca.

Sobre o Presidente dos EUA, Macron disse que "Trump quer a paz", e que esse desejo une-o aos líderes europeus. No entanto, o Presidente francês mostrou-se contra "uma paz precipitada”, que “não seria respeitada pela Rússia”. E é também contra o “reconhecimentos de direitos” que significariam “que se pode tomar territórios pela força”.

Rússia, uma potência de desestabilização

“Um país que investe 40% do seu orçamento em armamento, que mobilizou mais de 1,3 milhão de soldados, não voltará de um dia para o outro a ser uma democracia aberta. Não sejamos ingénuos. Até para a sua própria sobrevivência, precisa continuar a consumir. Putin é um predador, um ogre às nossas portas”, disse Macron.

E, mesmo que se chegue a um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia, é preciso estar alerta para as ambições de Moscovo, na perspetiva do Presidente francês. “A Rússia tornou-se de forma duradoura uma potência de desestabilização e uma ameaça potencial para muitos de nós”, acrescentou Macron.

“Não devemos ser ingênuos, e digo isto com imenso respeito pelo povo russo. Mas o Presidente Putin raramente cumpriu os seus compromissos", concluiu Macron. "Não digo que amanhã a França será atacada, mas é uma ameaça para os europeus.”

Cimeira entre Zelensky e Putin na Europa?

O encontro desta segunda-feira — primeiro entre Zelensky e Trump, depois alargado aos líderes europeus que viajaram até Washington — tinha um objetivo: dar mais um passo na direção de um acordo de paz entre Kiev e Moscovo, depois de, na sexta-feira, os presidentes russo e norte-americano se terem encontrado no Alasca.

Desse encontro, pouco se soube. Putin e Trump foram vagos, dizendo apenas que tinha sido uma conversa produtiva, mas da qual não saiu qualquer acordo.

Já do encontro na Casa Branca, sabe-se que, enquanto decorria a reunião, Trump e Putin falaram ao telefone e o Presidente russo ter-se-á mostrado disponível para conversar com Zelensky no espaço de duas semanas. Também o presidente ucraniano, falando aos jornalistas, disse estar pronto para uma reunião bilateral e, depois disso, uma trilateral, com a presença de Trump.

Macron confirma estas informações e acrescenta-lhes ainda mais um encontro. “Decidimos ter uma reunião bilateral entre os dois presidentes, depois uma trilateral (com Donald Trump) e, em seguida, uma multilateral onde os europeus deverão estar à mesa.

E este encontro, acredita o Presidente francês, poderá ter lugar na Europa. “É mais do que uma hipótese, é uma vontade coletiva”, disse durante a entrevista. Certo é que França não será a anfitriã, será antes um país neutro. “Talvez a Suíça, defendo Genebra”, disse. “Ou outro país: da última vez, as discussões bilaterais ocorreram em Istambul (Turquia).”

Já esta terça-feira, depois das declarações de Macron, a Suíça prometeu "oferecer imunidade" a Putin — alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra cometidos na Ucrânia — caso venha a acolher a conferência de paz. A garantia foi dada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros suíço.


Sobre a potencial detenção de Putin, Macron já se tinha pronunciado na entrevista: mesmo que a reunião aconteça num país que reconhece o Tribunal Penal Internacional — e que, teoricamente, deveria deter Putin —, será necessário fazer uma exceção. “Ele é Presidente em exercício, tem princípio de imunidade. A paz deve avançar, portanto precisamos encontrar um local.”

A favor da paz, "não da capitulação da Ucrânia”

sobre o desenho de um acordo de paz, Macron afirmou que Kiev fará as concessões que considerar justas e boas. “Essa paz não pode ser uma capitulação, seria dramático para a Ucrânia e para os europeus. Uma potência nuclear iria aproximar-se das nossas fronteiras e avançaria. Isso significaria o colapso da ordem internacional construída nos últimos 70 anos.”

Também por isso, um dos pontos fundamentais saídos da reunião de Washington — onde estiveram os líderes de Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Finlândia, União Europeia e NATO — é, na opinião de Macron, dar garantias de segurança à Ucrânia num cenário pós-guerra.

“Pela primeira vez, decidimos lançar o processo de trabalho sobre as garantias de segurança”, acrescentou o Presidente de França, muito embora isso não signifique a adesão da Ucrânia à NATO, como Zelensky deseja, já que Trump se opõe.

O objetivo é “dissuadir os russos com um exército ucraniano forte, capaz de resistir” a uma nova invasão. Questionado sobre se isso poderia levar os aliados a uma guerra direta contra a Rússia, Macron respondeu: “Se a Rússia decidir voltar a provocar nos limites da Europa após um acordo de paz, haverá uma reação.”

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