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França

Autópsia revela que morte em direto de francês não resultou de trauma

22 ago, 2025 - 13:44 • Reuters

Autópsia aponta para causa médica ou toxicológica. Governo francês admite possíveis sanções contra a plataforma Kick.

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O streamer francês que morreu em direto após dias de abusos por parte de outros utilizadores não morreu em consequência de trauma ou da intervenção de terceiros, anunciaram esta sexta-feira as autoridades judiciais.

A França ficou abalada com a morte de Raphael Graven, de 46 anos, conhecido online como Jean Pormanove, que perdeu a vida na passada segunda-feira durante uma transmissão na plataforma Kick, após vários dias de violência e humilhação transmitidas em direto.

O procurador de Nice, no sul do país, referiu que a autópsia não revelou lesões traumáticas que justificassem a morte, apontando antes para causas médicas ou toxicológicas. Foram encomendadas análises complementares, tendo em conta que Graven sofria de problemas cardíacos e estava a ser medicado para a tiroide.

Em declarações à rádio franceinfo, Clara Chappaz, secretária de Estado da Inteligência Artificial e do Digital, disse que em alguns dos vídeos Graven pode ser ouvido a pedir para que os abusos terminassem e a manifestar vontade de chamar a polícia.

"Vivemos num mundo onde a realidade ultrapassa a ficção"

“Todo o país está em choque com o que aconteceu… Vivemos num mundo onde a realidade ultrapassa a ficção, em que se pode ver alguém a morrer num canal de televisão e onde as pessoas assistem horas a fio a vídeos de humilhação”, afirmou.

Chappaz criticou o que classificou de “faroeste digital” e acusou a plataforma Kick, de capital australiano, de falhar na moderação de conteúdos.

“Esta plataforma, criada há três anos, está claramente desligada da realidade”, declarou, acrescentando que, caso se confirme que a Kick não cumpriu os padrões de moderação, o Governo francês avançará com “sanções”, sem especificar quais.

A filial francesa da Kick afirmou que está a cooperar com as autoridades e a rever os seus conteúdos em França.

Entretanto, Chappaz adiantou que o regulador francês da comunicação digital e audiovisual, Arcom, abriu uma investigação ao caso, assegurando que, se se concluir que o enquadramento legal atual é insuficiente, este será reforçado.

Nesta sexta-feira, a Arcom revelou que a Kick levantou o bloqueio ao canal “jeanpormanove” – medida imposta após a morte de Graven – justificando que precisava de aceder aos conteúdos. Contudo, o desbloqueio voltou a permitir ao público assistir aos vídeos, decisão que o regulador condenou.

“Disponibilizar as gravações às autoridades não justifica levantar o bloqueio do canal para o público em geral”, afirmou a Arcom, alertando que poderá agir caso a restrição não seja reposta.

A Kick não respondeu aos pedidos de comentário.

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