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Guerra na Ucrânia

Hungria bloqueia apoio financeiro à Ucrânia, França e Alemanha comprometem-se a reforçar defesa aérea de Kiev

29 ago, 2025 - 16:27 • Ana Kotowicz

Chefes da diplomacia da União Europeia reúnem-se sexta e sábado em Copenhaga. Merz e Macron estiveram juntos em Toulon.

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A União Europeia quer desbloquear 6,6 mil milhões de euros de apoio financeiro para a Ucrânia, mas a Hungria continua a bloquear os esforços dos 27. Este impasse é o principal (não) resultado do primeiro dia de encontros informais entre os chefes de diplomacia da UE, de onde saiu uma declaração conjunta a condenar o ataque russo de quinta-feira a Kiev — e que Budapeste não assinou.

Em contrapartida, em Toulon, França e Alemanha comprometem-se a reforçar a defesa aérea de Kiev.

A reunião dos ministros europeus é presidida pela alta representante da UE para os Negócios Estrangeiro, Kaja Kallas, que em conferência de imprensa na Dinamarca, acusou a Rússia de ser a única a não querer a paz.

"Nas últimas semanas assistimos a esforços diplomáticos para pôr fim à guerra da Rússia, e está claro que a Europa quer paz, os Estados Unidos querem paz, a Ucrânia quer paz”, disse em Copenhaga. “Quem não quer paz é a Rússia.”

À entrada do encontro, que acontece um dia depois de Moscovo ter atingido a sede da UE em Kiev, Kallas já tinha acusado Putin de "estar a gozar" com os esforços de paz. A ideia foi repetida à saída: os ataques a Kiev demonstram uma “escolha deliberada” do Kremlin para escalar o conflito e menosprezar os esforços diplomáticos de paz.

UE pronta para treinar militares dentro da Ucrânia

Se para o apoio financeiro não há unanimidade, Kaja Kallas garante haver “um amplo apoio” entre os ministros europeus para expandir o mandato da missão militar da UE, de forma a treinar as forças ucranianas dentro do seu próprio território, assim que houver qualquer tipo de acordo de cessar-fogo com a Rússia.

“Está claro que a Europa desempenhará plenamente o seu papel”, afirmou, frisando que a UE já é o maior fornecedor de formação do exército ucraniano. Apesar disso, a UE “deve estar preparada para fazer mais”, como enviar formadores para academias e instituições militares ucranianas.

Sobre a necessidade de novas garantias de segurança para a Ucrânia — Zelensky insistiu esta sexta-feira que a discussão tem de ser tida ao mais alto nível —, Kallas diz que o grupo tem uma posição clara: "As garantias de segurança para a Ucrânia têm de ser robustas e credíveis. Não podemos permitir que 2022 se repita.”

Hungria ainda não cede

Sobre a ajuda financeira, Kallas admitiu que têm fracassado as várias tentativas de convencer a Hungria a desbloquear 6,6 mil milhões de euros do Fundo Europeu para a Paz.

“Temos explorado várias soluções, incluindo possíveis ‘opt-outs’ ou garantias de que o dinheiro não seria utilizado para ajuda letal, mas estas iniciativas não têm sido eficazes até agora”, esclareceu a chefe da diplomacia da UE.

A Hungria ficou também de fora da declaração conjunta assinada pelos restantes 26 Estados-membros da União Europeia, onde condenam o ataque a Kiev de quinta-feira que fez mais de 20 mortos, incluindo quatro menores.

O texto denuncia “a natureza imprudente dos ataques russos e o seu desrespeito pelo direito internacional”, sublinhando que “ataques intencionais contra civis e alvos não militares constituem crimes de guerra”. A declaração alerta ainda que “todos os comandantes, autores e cúmplices destas graves violações do direito humanitário internacional serão responsabilizados”.

“A perpetração destes crimes reforça apenas a nossa determinação em apoiar a Ucrânia e o seu povo na defesa contra a Rússia e na procura de uma paz abrangente, justa e duradoura”, lê-se no comunicado, que termina com um apelo. “É necessário que a Rússia ponha fim às mortes e demonstre uma genuína vontade de alcançar a paz.”

França e Alemanha comprometem-se a reforçar defesa aérea da Ucrânia

Em Touloun, o chanceler alemão e o Presidente francês mostraram unidade. Do encontro a dois saiu a promessa de que França e a Alemanha vão fornecer mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia. Além disso, pretendem estreitar a cooperação estratégica em matéria de segurança.

O anúncio foi feito em conferência de imprensa conjunta, depois da 25.ª reunião do Conselho de Ministros Franco-Alemão, em Toulon.

Sobre um acordo de paz, Emmanuel Macron diz esperar que o Presidente russo, Vladimir Putin, avance com a reunião bi ou trilateral sobre o fim da guerra, conforme se tinha comprometido fazer em conversas com o presidente norte-americano, Donald Trump. Na altura, a promessa era de que esses encontros aconteceriam no espaço de 15 dias.

Assim, Macron defende que se Putin não cumprir o prazo que termina segunda-feira, será mais um exemplo de tentativa de “manipular” Trump, algo que “não pode ficar sem resposta”. O Presidente francês avançou ainda que tanto ele como Merz pretendem falar com Trump durante este fim de semana.

Friedrich Merz, que na quinta-feira já tinha expressado dúvidas sobre a possibilidade de o encontro entre Putin e Zelensky acontecer de facto, manteve o mesmo tom de ceticismo. Na sua opinião, a guerra na Ucrânia poderá prolongar-se por “meses” e o Presidente russo continua “claramente relutante” em cumprir o acordo de reunir-se com Zelensky.

“Francamente, isto não me surpreende, porque faz parte da estratégia do presidente russo agir sempre desta forma”, concluiu o chanceler alemão.
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