Diplomacia
Índia e China são parceiros e não rivais, dizem Modi e Xi
31 ago, 2025 - 20:28 • Reuters
Primeiro-ministro indiano visita China pela primeira vez em sete anos e aproxima-se de Pequim, numa altura em que os Estados Unidos agravaram tarifas comerciais.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o Presidente chinês, Xi Jinping, afirmaram este domingo que Índia e China são parceiras no desenvolvimento e não rivais, ao discutirem formas de reforçar os laços comerciais entre os dois países, num contexto global marcado pela incerteza tarifária.
Modi deslocou-se à China pela primeira vez em sete anos para participar numa cimeira de dois dias da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), um bloco de segurança regional que conta com a presença do Presidente russo, Vladimir Putin, bem como líderes do Irão, Paquistão e quatro Estados da Ásia Central — numa demonstração de solidariedade do Sul Global.
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Analistas consideram que tanto Xi como Modi procuram alinhar posições face à crescente pressão do Ocidente, poucos dias após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter imposto tarifas punitivas de 50% sobre produtos indianos — em parte, como resposta à compra de petróleo russo por Nova Deli.
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Estas medidas dos EUA fragilizam relações construídas com a Índia ao longo de décadas, numa altura em que Washington via Nova Deli como um contrapeso estratégico à influência chinesa na região.
Durante o encontro à margem da cimeira, Modi expressou o compromisso de a Índia fortalecer os laços com a China e abordou o desequilíbrio crescente na balança comercial, que atingiu cerca de 99,2 mil milhões de dólares, destacando também a importância de manter a paz e a estabilidade na fronteira disputada, onde um confronto em 2020 resultou num impasse militar de cinco anos.
"Estamos empenhados em desenvolver as nossas relações com base no respeito mútuo, na confiança e na consideração pelas sensibilidades de ambos os lados", afirmou Modi num vídeo publicado na sua conta oficial na rede X (antigo Twitter).
O primeiro-ministro indiano sublinhou ainda que foi criado um clima de "paz e estabilidade" na fronteira dos Himalaias, e que a cooperação entre os dois países está diretamente ligada ao bem-estar de 2,8 mil milhões de pessoas — as populações combinadas das duas nações mais populosas do mundo.
A Índia e a China, ambas potências nucleares, partilham uma fronteira de 3.800 quilómetros mal demarcada, cuja disputa remonta à década de 1950.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping reforçou a ideia de que os dois países devem ver-se como oportunidades de desenvolvimento mútuo, e não como ameaças.
"Não devemos permitir que a questão fronteiriça defina a totalidade da relação China-Índia", afirmou Xi, citado pela Xinhua.
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O líder chinês acrescentou que os laços entre Pequim e Nova Deli podem ser "estáveis e duradouros", desde que ambas as partes se vejam como parceiras e não como concorrentes estratégicos.
As relações bilaterais deterioraram-se significativamente após o confronto de 2020, que causou a morte de 20 soldados indianos e quatro chineses. Desde então, ambos os lados aumentaram fortemente a presença militar na região dos Himalaias.
No entanto, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros indiano, Vikram Misri, declarou que a situação na fronteira evoluiu no último ano, após um acordo de patrulhamento alcançado em outubro.
"A situação na fronteira caminha para a normalização", disse Misri a jornalistas.
Questionado sobre as tarifas dos EUA, o diplomata indicou que Modi e Xi discutiram a "situação económica internacional" e os desafios que esta coloca.
"Tentaram perceber como tirar partido dessas dinâmicas para construir um maior entendimento mútuo e como avançar na relação económica e comercial entre a Índia e a China", acrescentou.
Segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, os dois líderes discutiram ainda formas de ampliar a convergência bilateral, regional e global, abordando temas como o combate ao terrorismo e a promoção de um comércio justo nos fóruns multilaterais.
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