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Putin recusa que Rússia queira atacar Europa e alega não se opor à entrada da Ucrânia na UE

02 set, 2025 - 13:25 • João Pedro Quesado com Reuters

A Ucrânia diz que não cabe à Rússia decidir ao que Kiev pode ou não aderir, enquanto a NATO diz que a Rússia não pode ter poder de veto sobre a adesão à aliança.

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O presidente russo, Vladimir Putin, recusou esta terça-feira ter intenção de atacar a Europa no caso de ser bem sucedida contra a Ucrânia, e alegou que não se opõe à adesão da Ucrânia à União Europeia.

Ao lado de Robert Fico, primeiro-ministro da Eslovénia, na China, Putin afirmou que "qualquer pessoa sensata percebe que a Rússia nunca teve, não tem, e não vai ter o desejo de atacar ninguém", acrescentando que essa ideia é ou "uma provocação ou incompetência", de acordo com a Sky News, e até "histeria".

A Ucrânia e os líderes dos países da Europa Ocidental não acreditam que Putin leve a sério a hipótese da paz na Ucrânia e alertaram que, se a Rússia vencer a guerra na Ucrânia, Putin poderá atacar a Europa e a aliança militar da NATO.

O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, disse após a cimeira com Putin no Alasca, em agosto, que acredita que Putin está "cansado" da guerra na Ucrânia, mas que ainda não se sabe se a paz pode ser garantida para pôr fim ao conflito.

Putin alegou que a Rússia foi forçada a agir na Ucrânia pelo que classificou como uma tentativa do Ocidente, com a ajuda da NATO, de tentar absorver todo o espaço pós-soviético.

"Quanto à adesão da Ucrânia à UE, nunca nos opusemos a isso", disse Putin, apontando depois que "quanto à NATO, essa é outra questão... A nossa posição aqui é bem conhecida: consideramos isso inaceitável para nós".

Uma potencial garantia de segurança para a Ucrânia — apoiada pelos Estados Unidos e pelas potências da Europa Ocidental — é uma das partes mais difíceis de qualquer futuro acordo de paz, de acordo com diplomatas e autoridades envolvidas nas discussões.

A Ucrânia diz que não cabe à Rússia decidir ao que Kiev pode ou não aderir, enquanto a NATO diz que a Rússia não pode ter poder de veto sobre a adesão à aliança que foi formada em 1949 para combater a ameaça da União Soviética.

Putin disse que discutiu a segurança da Ucrânia cimeira de 15 de agosto com Trump. "Há opções para garantir a segurança da Ucrânia caso o conflito termine", disse Putin. "E parece-me que há uma oportunidade de chegar a um consenso aqui."

A Rússia, disse Putin, estava pronta para cooperar com os Estados Unidos na central nuclear de Zaporizhzhia, a maior central nuclear da Europa. A Rússia assumiu o controlo da infraestrutura em março de 2022, logo após a invasão da Ucrânia.

"Podemos cooperar com parceiros americanos na central nuclear de Zaporizhzhia", declarou Putin, acrescentando que a questão foi discutida indiretamente com Washington, e que está preparado para trabalhar com a Ucrânia nessa questão.

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