Ouvir
  • Noticiário das 14h
  • 18 jun, 2026
A+ / A-

Centenas de trabalhadores detidos em fábrica da Hyundai nos EUA

05 set, 2025 - 20:54 • Reuters

Coreia do Sul expressou profundo pesar e preocupação face à megaoperação anti-imigração numa fábrica da Geórgia.

A+ / A-

Centenas de trabalhadores foram detidos numa operação em larga escala das autoridades norte-americanas, numa fábrica de baterias para carros da Hyundai em construção no estado da Geórgia.

A intervenção levou à suspensão das obras naquele que é um dos principais investimentos da construtora automóvel sul-coreana nos Estados Unidos.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Segundo as autoridades de imigração norte-americanas, cerca de 475 trabalhadores foram detidos, o que marca a maior operação de fiscalização num único local na história do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).

A administração do Presidente Donald Trump tem intensificado o controlo sobre a imigração ilegal, numa estratégia que tem perturbado diversas empresas em todo o país — apesar da política da Casa Branca de incentivar o investimento estrangeiro.

Coreia do Sul lamenta detenções e faz aviso

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul expressou profundo pesar e preocupação face à megaoperação levada a cabo pelas autoridades norte-americanas.

“As atividades económicas das nossas empresas a investir nos Estados Unidos, bem como os interesses dos nossos cidadãos, não devem ser indevidamente violados no decurso da aplicação da lei norte-americana”, declarou o porta-voz do ministério, Lee Jae-woong, numa nota oficial divulgada esta sexta-feira.

As detenções podem agravar as tensões diplomáticas entre Washington e Seul, num momento sensível em que ambos os países discutem os termos de um acordo comercial que envolve investimentos superiores a 350 mil milhões de dólares.

Apenas no mês passado, a Coreia do Sul comprometeu-se com 150 mil milhões de dólares em investimentos nos EUA, incluindo 26 mil milhões provenientes da Hyundai Motor, durante uma cimeira entre os líderes das duas nações.

De acordo com o DHS, os trabalhadores agora detidos encontravam-se ilegais no país, por entrada irregular ou por permanência após o vencimento dos vistos. A investigação decorreu ao longo de vários meses, explicou Steven Schrank, agente especial responsável pela operação no estado da Geórgia, durante uma conferência de imprensa.

“Isto não foi uma operação de imigração em que os agentes entram, cercam o edifício e levam as pessoas em autocarros”, afirmou Schrank, acrescentando que havia uma rede de subcontratados envolvida na obra.

Segundo o agente especial Steven Schrank, os trabalhadores detidos estão a ser mantidos no centro de detenção do ICE em Folkston, Geórgia. De acordo com Schrank, a maior parte dos 475 detidos são cidadãos sul-coreanos — informação corroborada por meios de comunicação da Coreia do Sul, que apontam para cerca de 300 detidos com nacionalidade sul-coreana.

Hyundai e LG colaboram com autoridades

A Hyundai Motor está a construir a fábrica em parceria com a LG Energy Solutions, fabricante sul-coreana de baterias. Um porta-voz da LG confirmou que os trabalhos de construção foram suspensos temporariamente e que a empresa está a cooperar com as autoridades na investigação.

O arranque das operações da unidade fabril estava previsto para o final deste ano, segundo informações da LG Energy Solutions.

Esta megaoperação é mais um reflexo da postura agressiva do ICE (Immigration and Customs Enforcement), uma agência integrada no DHS, que tem estado na linha da frente da política anti-imigração da administração Trump — agora reforçada com financiamento recorde e maior liberdade de atuação para conduzir este tipo de ações.

Ouvir
  • Noticiário das 14h
  • 18 jun, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque