Médio Oriente
As 9 medidas de Espanha "contra o genocídio em Gaza"
08 set, 2025 - 14:05 • Ana Kotowicz
Pedro Sánchez usa, pela primeira vez, a palavra "genocídio" para se referir à ofensiva militar em Gaza. Espanha aprova 9 medidas para tentar travar a ação de Israel.
"Genocídio." Pedro Sánchez, que há meses evitava usar a palavra, disse-a três vezes nesta segunda-feira para se referir à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza. O primeiro-ministro espanhol falava durante a apresentação das "nove medidas contra o genocídio em Gaza" aprovadas pelo Governo espanhol.
"Os números falam por si: 63 mil mortos, 159 mil feridos, 250 mil pessoas em risco de desnutrição aguda e quase dois milhões de deslocados. Metade deles são menores de idade. Isto não é defender-se, não é sequer atacar. É exterminar um povo indefeso. É violar todas as normas do direito humanitário. E, apesar disso, a comunidade internacional não tem conseguido travar esta tragédia", disse Sánchez aos jornalistas.
Entre os socialistas do PSOE, foi a ministra da Defesa, Margarida Robles, quem, em maio, usou a palavra pela primeira vez. Nessa altura, referiu-se "ao que está a acontecer em Gaza" como "um verdadeiro genocídio", numa altura em que apenas os membros do Governo ligados ao Somar o tinham feito frontalmente, para rapidamente serem desautorizados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, que lembrou que Israel é um “Estado amigo de Espanha”.
Agora, por ser dita pela primeira vez pelo chefe do Governo espanhol, depois de ter aberto um debate interno dentro da coligação de esquerda (PSOE e Somar) que apoia o seu executivo, a palavra "genocídio" ganha especial peso político e ilustra uma mudança de tom no discurso de Sánchez.
Na sua declaração, o primeiro-ministro espanhol começou por recordar o sofrimento do povo judaico, o Holocausto, e o direito do povo judeu de ter um Estado próprio onde se sinta seguro, condenando os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Mas rapidamente, apontou o dedo ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. "Com a mesma convicção [com que condena os ataques do Hamas], o Governo de Espanha entende que uma coisa é proteger o seu país e a sua sociedade, e outra muito diferente é bombardear hospitais e matar de fome crianças inocentes."
Sánchez defendeu ainda que o plano apresentado em 2023 como "uma operação militar de resposta aos atrozes atentados terroristas do Hamas acabou por se transformar numa nova vaga de ocupações ilegais e num ataque injustificável contra a população civil palestiniana".
E recordou que este ataque já é qualificado pela relatora especial das Nações Unidas e pela maioria dos peritos como genocídio.
"Espanha, como sabem, não tem bombas nucleares, nem porta-aviões, nem grandes reservas de petróleo. Sozinhos, não podemos deter a ofensiva israelita. Mas isso não significa que deixemos de tentar. Porque há causas pelas quais vale a pena lutar, mesmo que não esteja apenas nas nossas mãos vencê-las", concluiu Sánchez, que apresentou as nove medidas concretas.
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As 9 medidas aprovadas por Espanha:
- "Aprovação urgente de um decreto-lei que consolide juridicamente o embargo de armas a Israel, em vigor desde outubro de 2023, e que estabeleça a proibição legal e permanente de comprar e vender armamento, munições e equipamento militar a esse país."
- "Proibição do trânsito em portos espanhóis de todos os navios que transportem combustíveis destinados às forças armadas israelitas."
- "Denegação de entrada no espaço aéreo espanhol a aeronaves de Estado que transportem material de defesa com destino a Israel."
- "Proibição de entrada em território espanhol a todas as pessoas que participem diretamente no genocídio, em violações de direitos humanos ou em crimes de guerra na Faixa de Gaza."
- "Proibição da importação de produtos provenientes de colonatos ilegais em Gaza e na Cisjordânia, com o objetivo de combater estas ocupações, travar o deslocamento forçado da população civil palestiniana e manter viva a solução dos dois Estados."
- "Restrição dos serviços consulares prestados a cidadãos espanhóis residentes em colonatos ilegais israelitas, limitando-os à assistência mínima legalmente obrigatória."
- "Reforço do apoio à Autoridade Palestiniana, com o aumento de efetivos espanhóis na Missão de Assistência Fronteiriça da União Europeia em Rafah e o lançamento de novos projetos de cooperação nos domínios da agricultura, segurança alimentar e assistência médica."
- "Aumento da contribuição espanhola à UNRWA, a Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos, com uma verba adicional de 10 milhões de euros destinada ao apoio da população em Gaza."
- "Reforço da ajuda humanitária e da cooperação para Gaza, com a meta de alcançar 150 milhões de euros em 2026."
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O Governo israelita já reagiu a estas medidas e proibiu a entrada de duas ministras espanholas no país: a ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, e a ministra da Juventude, Sira Rego, ambas do Somar.
"É evidente que Díaz, líder extremista do Somar, se está a aproveitar da debilidade política de Sánchez e o está a arrastar, passo a passo, e a implementar a sua visão anti-Israel e anti-semita", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel nas redes sociais.
Decisões adicionais "serão tomadas posteriormente", acrescentou Gideon Saar.
- Noticiário das 0h
- 12 jun, 2026










