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Governo da França perto do fim. Bayrou avisa oposição que não tem "poder de apagar" problemas orçamentais

08 set, 2025 - 15:43 • João Pedro Quesado com Reuters

A proposta de François Bayrou para o Orçamento de 2026 prevê um corte de 44 mil milhões de euros na despesa pública, depois de o país registar um défice quase o dobro do limite de 3% da UE em 2024.

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O sobre-endividamento da França coloca a sobrevivência do pais em risco, alertou esta segunda-feira o primeiro-ministro François Bayrou, antes de um voto de confiança que reconheceu ser "inevitável" perder, criando ainda mais incerteza sobre uma das maiores economias da Europa.

Bayrou, o quarto primeiro-ministro do presidente Emmanuel Macron em menos de dois anos, submeteu a moção de confiança debaixo de uma pressão forte que a França está a enfrentar para reparar as finanças públicas — o défice de 2024 foi quase o dobro do limite de 3% da União Europeia, enquanto a dívida pública se fixou em 113,9% do Produto Interno Bruto.

O chefe de Governo alertou o parlamento que qualquer governo subsequente enfrentará os mesmos problemas. A moção de censura deve ser votada pelas 19h locais, 17h em Portugal continental.

"Vocês têm o poder de derrubar o governo, mas não têm o poder de apagar a realidade. A realidade permanecerá implacável: as despesas continuarão a aumentar e o peso da dívida, já insuportável, ficará mais pesado e custoso", disse Bayrou aos deputados.

Os partidos de oposição deixaram claro que não concordam com Bayrou sobre como lidar com a dívida, que vão votar contra o governo minoritário de Bayrou.

"A questão vital, a questão de vida ou morte, onde nossa própria sobrevivência está em jogo... É a questão de controlar os nossos gastos, é a questão do sobre-endividamento", disse Bayrou ao parlamento. "O maior risco é não correr qualquer risco, deixar as coisas como estão, promover os habituais jogos políticos, não tomar as decisões que se impõem. Estamos à beira do precipício. Não é o tempo da política é o tempo da história".

A proposta de François Bayrou para o Orçamento de 2026 prevê um corte de 44 mil milhões de euros na despesa pública, que pode pôr em causa serviços públicos e levar ao congelamento de pensões.

O colapso iminente do governo minoritário parece destinado a agravar os problemas da França, num momento crítico para a Europa, que procura unidade diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia, uma China cada vez mais dominante e tensões comerciais com os Estados Unidos da América.

A turbulência também ameaça a capacidade da França de controlar a dívida pública, com o risco de novos cortes no rating do crédito à medida que os spreads de títulos de dívida — um indicador do prémio de risco que os investidores exigem para manter a dívida francesa — aumentam.

Referindo-se ao risco que correu ao convocar o voto de confiança ter sido uma aposta arriscada, Bayrou afirmou ao parlamento que a França "tem uma necessidade urgente de lucidez, tem a necessidade mais urgente de unidade", lamentando ser "a divisão que ameaça prevalecer, que ameaça a imagem e reputação."

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