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Governo francês pode cair esta segunda-feira se moção de confiança chumbar

08 set, 2025 - 07:12 • Eva Massy, correspondente da Renascença em Paris

O voto de confiança será decidido por maioria simples dos votos emitidos. Bayrou poderá não reunir os apoios suficientes para manter-se em funções.

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É um dia decisivo na vida política francesa, esta segunda-feira. O primeiro-ministro, François Bayrou, decidiu submeter-se a um voto de confiança, depois da apresentação oficial do Orçamento de Estado para 2026, marcada para as 15h00 locais (14h00 de Lisboa).

Em função do resultado da votação, os franceses poderão ter que voltar a eleger um novo governo, ou este poderá ser nomeado pelo Presidente Emmanuel Macron.

No centro das críticas, as propostas orçamentais, já apresentadas por Bayrou em julho, e que incluem 43 mil milhões de euros em poupanças, nomeadamente nas despesas públicas.

Nas ruas, os franceses prometem vir contestar estas medidas de austeridade e um movimento de greve e contestação promete paralisar o funcionamento da vida política e económica em França, esta semana.

Tudo começou a 25 de agosto, quando François Bayrou solicitou um voto de confiança dos parlamentares sobre a questão orçamental, como forma de reforçar a legitimidade política das suas propostas, mas colocando a sua posição em risco.

A oposição, em pé de guerra, criticou fortemente as previsões orçamentais, apresentadas em julho.

O plano de Bayrou prevê 43 mil milhões de euros em poupanças, cortando nas despesas públicas, mas aumentando o orçamento da defesa. Na apresentação, o primeiro ministro declarou em tom sério que a dívida pública francesa eleva-se a 3,3 biliões de euros, ou seja 115% do Produto Interno Bruto (PIB), alertando que "as despesas públicas superam as receitas há cinquenta anos" e que se torna necessário reduzir o défice e respeitar os compromissos europeus.

A oposição — composta por socialistas, esquerda radical e extrema-direita— ameaça rejeitar o Governo. De acordo com as previsões dos analistas políticos, Bayrou poderá não reunir os apoios suficientes para manter-se em funções.

O voto de confiança será decidido por maioria simples dos votos emitidos.

Fora dos círculos políticos, a tensão também cresceu nas últimas semanas. O movimento “Bloquons tout” (Bloqueemos tudo) anunciou uma greve geral para 10 de setembro, para protestar contra as medidas de austeridade previstas e, mais geralmente, contra o Executivo.

Com a queda do Governo, os cenários ficam em aberto: remodelação governamental, dissolução parlamentar ou até eleições antecipadas. O que é certo é que o país mergulhará novamente numa crise institucional.

Resta saber por quanto tempo os franceses ficarão sob um governo demissionário. O recorde pertence até agora ao governo de Gabriel Attal que, no ano passado, administrou os assuntos correntes do país durante 51 dias.

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