Economia Francesa
João Cerejeira: "Há uma situação de grande fragilidade da economia francesa"
08 set, 2025 - 07:00 • Rita Vila Real
Moção de confiança ao governo debatida esta segunda-feira na Assembleia Nacional depois de ter sido apresentado um orçamento do Estado que promete diminuir o défice público.
O economista João Cerejeira considera que há "grande fragilidade da economia francesa, que está praticamente estagnada" na origem da crise política que se verifica em França, que "já vai em cinco goveros nos últimos dois anos".
Em causa está uma moção de confiança, que seá votada esta segunda-feira no parlamento francês, apresentada pelo primeiro ministro, François Bayrou.
O governo francês apresentou um orçamento do Estado que inclui medidas como cortes de 44 mil milhões de euros, congelamento de pensões e de programas sociais e retirada de dois feriados nacionais, o 8 de maio e a Páscoa. As medidas, que estão a causar discórdia, visam diminuir o défice público de 5,8%, registado no ano passado, para 4,6% em 2026.
As propostas do orçamento de estado têm sido alvo de críticas por parte de várias forças políticas e, por isso, a 25 de agosto, o primeiro-ministro anunciou submeter-se a um voto de confiança para poder esclarecer a situação orçamental do país aos deputados do parlamento. "Há um conjunto de medidas que são impopulares e quando temos um governo minoritário é muito afetado", diz João Cerejeira.
A necessidade de diminuir o défice público deve-se a "um problema sério de défice orçamental excessivo e de dívida pública também excessiva" que a economia francesa está a ultrapassar.
João Cerejeira refere, porém, que mesmo que o governo fracês caia, "o outro que vem depois deste não se iliba de ter de tomar medidas impopulares, nomeadamente a diminuição de despesas. Porque o peso também da carga fiscal em França já é também tal maneira elevado que dificilmente poderá haver equilíbrio das contas públicas por via de aumento da receita fiscal".
"Os investidores vêem mais risco a comprar obrigações francesas do que vêem a comprar obrigações portuguesas. Isto é algo impensável há 10 ou 15 anos atrás" afirma o economista, que realça que "a fragilidade da economia francesa" pode-se "transmitir ao sistema financeiro francês".
O "sistema económico praticamente anémico" pode-se alastrar para vários setores da economia portuguesa, alterta o economista. "A França é o nosso terceiro mercado de exportação de bens, apresenta 12% das nossas exportações. Uma crise na França, obviamente, vai complicar a vida das empresas que exportam para lá".
Para além das exportações, também o turismo em Portugal vai sentir o impacto: "O mercado francês é o quinto em termos do turismo. 8% das dormidas em Portugal são provenientes de turistas franceses. Quer dizer que também teríamos um efeito no turismo, que tem sido um dos grandes motores da economia portuguesa dos últimos anos."
A diminuição do défice público tem sido uma preocupação para o atual governo francês, que tem como objetivo atingir a meta de 2,8% de dívida pública em 2029, para cumprir com a meta dos % estabelecida pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia.
- Noticiário das 11h
- 12 jun, 2026









