Médio Oriente
Israel lança “ataque de precisão” contra Hamas no Qatar
09 set, 2025 - 14:35 • Ana Kotowicz
“Israel iniciou-a, Israel conduziu-a e Israel assume total responsabilidade” pela operação militar no Qatar, lê-se numa nota do gabinete de Netanyahu.
(Em atualização)
Israel lançou um ataque sobre o Hamas no Qatar, tendo como alvo o principal negociador do movimento radical palestiniano. Khalil al-Hayya fazia parte da delegação do Hamas que se encontrava-se em Doha para negociar um cessar-fogo com Telavive. Foi atingido na residência onde vivem e estavam reunidos vários membros do movimento, não sendo ainda certo quantos mortos resultaram do ataque.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, assume total responsabilidade pelo ataque, segundo uma nota emitida pelo seu gabinete: “Israel iniciou-a, Israel conduziu-a e Israel assume total responsabilidade.”
O exército israelita foi o primeiro a confirmar o “ataque de precisão” contra dirigentes do Hamas, depois de várias agências terem noticiado que foram sentidas explosões em Doha e avistadas colunas de fumo negro.
Também o Hamas confirmou, segundo a televisão britânica BBC, que a sua delegação no Qatar foi alvo de um ataque. A agência Reuters, que cita duas fontes do movimento, escreve que o ataque terá feito dois mortos.
O Qatar, que tem servido de mediador entre o Hamas e Telavive, condenou o "ataque cobarde" de Israel, considerando tratar-se de uma violação flagrante do direito internacional.
O que dizem as Forças de Defesa de Israel
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram o ataque. “As IDF e o ISA [Agência de Segurança de Israel] realizaram um ataque de precisão contra a liderança sénior da organização terrorista Hamas", lê-se na nota.
"Há anos que estes membros da liderança do Hamas dirigem as operações da organização terrorista, sendo diretamente responsáveis pelo massacre brutal de 7 de outubro e pela orquestração e condução da guerra contra o Estado de Israel". No comunicado lê-se ainda que, antes do ataque, foram tomadas medidas para mitigar o risco para civis, "incluindo o uso de munições de precisão".
A nota conclui dizendo que as IDF e o ISA "continuarão a atuar com determinação para derrotar a organização terrorista Hamas, responsável pelo massacre de 7 de outubro”.
Segundo a imprensa israelita, que cita fonte do governo, o ataque teve como alvo Khalil al-Hayya, o principal negociador do Hamas.
Qatar condena ataques que são “violação flagrante” do direito internacional
O Qatar não poupou nas críticas ao ataque israelita, considerando que se trata de uma flagrante violação do direito internacional. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o local atingido era a residência de vários membros do Hamas.
“O Estado do Qatar condena veementemente este ataque e reafirma que não tolerará este comportamento imprudente de Israel, nem a contínua subversão da segurança da região e quaisquer ações que visem a sua segurança e soberania”, lê-se na nota, que condena “nos termos mais fortes possíveis” o ataque já reivindicado por Israel.
Segundo Majed Al Ansari, o ataque atingiu uma residência “onde viviam vários membros do gabinete político do Hamas na capital do Qatar, Doha”.
Irão, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Arábia Saudita, além da Autoridade Palestiniana, já condenaram também o ataque.
A Casa Branca confirmou ter sido avisada por Israel de que o ataque ia acontecer.
Guterres apela às partes que trabalhem para um cessar-fogo
Também o secretário-geral das Nações Unidas condenou o ataque desta terça-feira. “Estamos agora a tomar conhecimento dos ataques israelitas no Qatar, um país que tem desempenhado um papel muito positivo para alcançar um cessar-fogo e a libertação de todos os reféns”, disse António Guterres numa conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.
O responsável das Nações Unidas apelou a todas as partes que trabalhem "no sentido de alcançar um cessar-fogo permanente, não destruí-lo.”
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