Comentário de Manuel Poêjo Torres
Historicamente, Rússia faz exercícios militares antes de uma invasão, diz Poêjo Torres
12 set, 2025 - 08:31 • Hugo Monteiro com Redação
"Zapad 2025" é um exercício militar conjunto Rússia/Bielorrússia, potências aliadas que juntam milhares de militares para "melhorar as habilidades" das suas tropas.
Manuel Poêjo Torres, comentador da Renascença, diz que "A Rússia continua atenta aos seus interesses" com a execução do exercício militar em conjunto com a Bielorrússia, um cenário em que "historicamente, os exercícios militares russos são executados sempre à priori de uma invasão de soberania de outros estados".
A Rússia e a Bielorrússia começaram esta sexta-feira um exercício militar conjunto esta sexta-feira. O "Zapad 2025", que em português se traduz para "oeste", junta milhares de militares para uma exibição que quer "melhorar as habilidades dos comandantes e das tropas, o nível de cooperação e o treino em terreno dos grupos regionais e de coligação de tropas", como diz o Ministério da Defesa russo no Telegram, citado pela Reuters.
"Quando estamos a falar em paz, é natural que o Zapad vá cumprir uma missão de rearmamento, reconstrução do seu exército e reconstituição de uma força militar que, neste momento, a Rússia deixou de ter", indica Poêjo Torres, acrescentando que "a utilização de drones neste momento cria condições que ajudam o exercício a ter lugar".
Estes exercícios surgem no seguimento da invasão do espaço aéreo polaco por drones russos, na quarta-feira, apesar de a manobra militar estar marcada antes da identificação dos drones. Poêjo Torres acredita que "nada disto é por acaso", e que a manobra militar " foi premeditada para mostrar que a Rússia continua atenta, muito atenta aos seus interesses", e refere que não é possível dissociar estes exercícios do caso dos drones na Polónia.
O especialista em política internacional refere que, sempre que a Rússia executa um exercício, são estabelecidas "pré-condições" para "uma invasão de soberania de outros estados". "Foi o que aconteceu na Geórgia, foi o que aconteceu na Ucrânia", refere.
"Esta cooperação e coordenação de esforços entre a Rússia e a Bielorrússia é muito importante porque existe uma vinheta, ou seja, um mini-exercício dentro do Grande Zapad, que é um mini-exercício dedicado apenas ao uso de armamento nuclear", sublinha Poêjo Torres.
"Os mísseis Horoschnik serão transferidos da Rússia para a Bielorrússia", prossegue, um tipo de armamento que representa " uma sinalização, o levantar da bandeira, de que a Rússia e a Bielorrússia, de forma combinada e de forma conjunta, estão cada vez mais preparados, alinhados, para conseguir defender o seu espaço vital".
- Noticiário das 8h
- 17 jul, 2026







