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Entrevista ao Cardeal Pietro Parolin

Número dois do Vaticano à Renascença. "Evacuar Gaza e deslocar palestinianos é uma opção que criticamos"

14 set, 2025 - 18:57 • José Pedro Frazão , Aura Miguel José Ferreira (captação audio) e Ricardo Fortunato(video e fotos)

O Secretário de Estado da Santa Sé revela ter recebido garantias do Presidente de Israel de que a comunidade cristã em Gaza "seria respeitada" na operação a desencadear pelas forças israelitas. Em entrevista à Renascença registada na Nunciatura Apostólica em Lisboa, o número 2 do Vaticano insiste na solução dos dois Estados - Israel e Palestina e adverte que retirar os palestinianos de Gaza "criará novos problemas".

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O Secretário de Estado da Santa Sé critica o plano do Governo israelita de ocupar a cidade de Gaza e retirar a sua população. Em entrevista à Renascença, concedida à margem de uma visita a Lisboa, o cardeal Pietro Parolin sustenta que esta não é a solução para "resolver o problema palestiniano".

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"A ideia de evacuar Gaza e o deslocamento dos palestinianos é uma opção que descartamos e criticamos", explicita o número dois da Santa Sé, na entrevista registada na Nunciatura Apostólica em Lisboa, acrescentando que esta decisão "criará novos problemas".

Parolin reafirma a defesa da "solução dos dois Estados" que, no caso palestiniano, deve permitir que a população "viva no seu próprio Estado, em segurança e com boas relações com Israel". Num contexto regional, o cardeal italiano considera que a fórmula da coexistência entre Israel e Palestina é "a que pode garantir um futuro pacífico no Médio Oriente".

Cristãos não saem de Gaza

Questionado sobre a situação da Igreja da Sagrada Família de Gaza, já atingida nas últimas semanas por bombardeamentos, o Secretário de Estado da Santa Sé revela que o Patriarca de Jerusalém o informou de que a comunidade cristã decidiu ficar, apesar da ordem de evacuação.

"Não sei como a situação será resolvida porque, precisamente, se houver essa ordem de saída e eles não quiserem sair, não sei como os israelitas reagirão. Do lado israelita, quando tivemos a oportunidade de nos reunir com as autoridades, especialmente na última reunião que tivemos com o Presidente Herzog, ele disse-nos que a comunidade cristã seria respeitada. O que isso significa em termos concretos? Não sei", confessa o cardeal Pietro Parolin.

"Papa em Fátima num próximo dia 13 de maio". Veja a entrevista completa ao Secretário de Estado do Vaticano
"Papa em Fátima num próximo dia 13 de maio". Veja a entrevista completa ao Secretário de Estado do Vaticano

Diplomacia impotente

Embora afirme não querer ser pessimista, o cardeal, que há 12 anos ocupa o cargo de Secretário de Estado da Santa Sé, admite que as relações internacionais de hoje são caracterizadas por "uma certa impotência da diplomacia". Parolin inclui a Santa Sé nesse panorama e lembra os escassos resultados de diplomacias civis "com muito mais meios".

"A nossa diplomacia é uma diplomacia desarmada, no sentido em que não temos meios de exercer qualquer tipo de pressão. É a palavra, a persuasão moral, a proclamação dos princípios do Evangelho que defendem a dignidade humana que nós levamos adiante. E isso depende em grande parte da capacidade de escuta e da vontade política das partes, que talvez não exista", explica Parolin na entrevista à Renascença.

Ainda assim, o número dois do Vaticano deixa uma nota de esperança que alimenta o apelo ao diálogo, para que as hostilidades possam cessar. "Se não chegarem a lugar nenhum, continuem a falar, continuem a levantar a voz, continuem a exigir respeito pelos direitos humanos, exigindo o fim da guerra", afirma Parolin, certo de que há um caminho que pode não ser inútil neste processo. "Que a seu tempo, talvez como a semente lançada a campo, poderá dar frutos a 30%, a 60% ou a 100%".

Papa em breve no Líbano

Nesta entrevista, o cardeal Secretário de Estado do Vaticano dá como certa a ida do Papa Leão XIV ao Líbano, na sequência da viagem apostólica agendada para o final de Novembro à Turquia, para assinalar os 1700 anos do Concílio de Niceia.

"O Papa tinha a intenção de aproveitar a viagem à Turquia para depois também a estender. Parece-me uma boa escolha, porque o Líbano precisa de apoio e, como sempre, olha atentamente para a Santa Sé como alguém que o possa ajudar. Neste momento, o problema institucional foi superado com a eleição do novo presidente, mas os principais desafios permanecem. Uma presença do Papa poderia servir verdadeiramente de apoio e ajuda no caminho para uma maior normalidade política, social e económica no país", explica o cardeal Pietro Parolin.

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