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Entrevista ao Cardeal Pietro Parolin

"Polarização nos EUA com eliminação física dos adversários é preocupante", diz número 2 da Santa Sé

14 set, 2025 - 19:57 • José Pedro Frazão , Aura Miguel , José Ferreira (captação audio) e Ricardo Fortunato(video e fotos)

Em entrevista exclusiva à Renascença, o Secretário de Estado da Santa Sé critica uma política migratória norte-americana "que não tenha nenhum sentimento de piedade e compaixão" pelos migrantes. O cardeal Pietro Parolin mostra-se preocupado com a violência no quadro da polarização que detecta na sociedade americana. O número 2 da Santa Sé acredita que o facto de o Papa Leão XIV ser americano poderá ajudar ao diálogo com Donald Trump.

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O assassinato de Charlie Kirk, activista político e personalidade mediática com forte ligação a Donald Trump, é visto com grande preocupação pelo Secretário de Estado da Santa Sé como sintoma da "polarização da sociedade americana, a todos os níveis, especialmente na política".

Em entrevista registada na Nunciatura Apostólica, em Lisboa, o número dois da Santa Sé considera que este é "um acontecimento que não nos pode deixar indiferentes" no quadro de uma polarização que passa para o domínio da violência.

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"Quando esta polarização já presente chega ao ponto de se traduzir em violência, na eliminação física dos adversários, dos que discordam, de quem não pensa como tu, dos que têm ideias diferentes, dos que defendem políticas diferentes, de quem promove outras linhas e conduta, isso é realmente preocupante", afirma o cardeal italiano à Renascença.

Falta de "piedade e compaixão" pelos migrantes

Questionado sobre a política de deportações da actual administração norte-americana, o cardeal que há 12 anos ocupa o cargo de Secretário de Estado do Vaticano denuncia "excessos" no processo de expulsão de migrantes.

"No que diz respeito aos Estados Unidos, não podemos adoptar uma política migratória que não tenha nenhum sentimento de piedade e compaixão por essas pessoas. E isso leva aos excessos que me parece que aconteceram", afirma o número dois do Vaticano.

Numa reflexão mais alargada, Parolin identifica as migrações como "uma questão estrutural" e conclui que "ninguém está a tomar medidas para fornecer respostas eficazes". O cardeal italiano considera que há muita politização da questão migratória, "mas ninguém conseguiu encontrar um modelo completo de integração".

Veja a entrevista completa ao Secretário de Estado do Vaticano
Veja a entrevista completa ao Secretário de Estado do Vaticano

"O Papa Francisco, como se lembram, falava sobre os quatro verbos famosos: acolher, proteger, acompanhar e integrar. Talvez acolhimento ainda seja mais ou menos voluntário, mas quando se trata de integração...", argumenta este alto responsável da Santa Sé.

O caso europeu

Parolin estende a sua reflexão à Europa, face à "necessidade de força de trabalho" e a uma "crise demográfica galopante", que impede este continente "de se sustentar sozinho".

Reconhecendo os argumentos em torno da ordem pública, o Secretário de Estado do Vaticano assinala também a necessidade da "solidariedade para com aqueles que fogem não apenas de situações de conflito — porque aqui entramos no campo de refugiados — mas também de situações económicas". Parolin lembra que a pobreza em África está na base de muitos movimentos migratórios.

O idioma como arma

Donald Trump e Leão XIV são dois dos americanos mais reconhecíveis em todo o mundo. Questionado sobre a relevância dos laços de nacionalidade para um diálogo mais facilitado entre ambos os chefes de Estado, o cardeal Parolin admite que esse facto pode ajudar a "fomentar um diálogo, um entendimento".

"Talvez porque se movam dentro da mesma cultura, a cultura americana. Mas isso ainda terá de ser visto, porque até agora, não houve sinais disso", adverte Parolin, que admite ser difícil "profetizar" esse cenário.

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