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Calor causa 16.500 mortes na Europa devido a alterações climáticas

17 set, 2025 - 08:46 • Lusa

Itália, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido são os países com maior número de mortes por calor associado às alterações climáticas. Das 854 cidades europeias estudadas, confirmam-se 2,2 graus Celsius acima do normal.

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Um estudo científico divulgado esta quarta-feira estima que cerca de 16.500 pessoas morreram este verão em 854 cidades europeias devido às altas temperaturas agravadas pelas alterações climáticas, de um total de 24.440 mortes relacionadas com o calor.

O impacto das altas temperaturas associadas às alterações climáticas no número total de mortes por calor foi assim de 68% este verão, conclui a investigação, liderada por especialistas das instituições britânicas Imperial College London e da London School of Hygiene e Tropical Medicine.

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A recolha de dados decorreu entre 01 de junho e 31 de agosto, e os resultados do estudo representam aproximadamente 30% da população europeia. Esta é a primeira estimativa em grande escala dos impactos na saúde de um verão marcado por temperaturas particularmente elevadas na Europa.

Foram observadas várias ondas de calor, e foi o verão mais quente já registado em vários países, incluindo Portugal, Espanha e Reino Unido.

Os cientistas estudaram a influência das alterações climáticas nas temperaturas diárias em 854 cidades e descobriram que estas estavam, em média, 2,2 graus Celsius acima do normal devido à queima de combustíveis fósseis e à desflorestação.

A Itália foi o país cujas cidades foram mais afetadas pelo impacto do calor, que causou 4.597 mortes, seguindo-se Espanha (2.841), Alemanha (1.477), França (1.444) e Reino Unido (1.147). Algumas das capitais europeias mais afetadas foram Roma (835 mortes), Atenas (630) e Paris (409), de acordo com os dados.

As pessoas com mais de 65 anos representam 85% das mortes relacionadas com o calor, e o estudo destaca "a crescente ameaça representada pelos verões extremos para uma população europeia cada vez mais envelhecida".

Os investigadores descrevem o calor extremo como um "assassino silencioso", uma vez que muitas mortes não são relatadas e os números oficiais podem demorar meses a serem divulgados.

A equipa científica apela ao reforço das políticas de proteção contra o calor, principalmente a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis. "A cadeia que vai desde a queima de petróleo, gás e carvão até ao aumento das temperaturas e à mortalidade é inegável", afirma a professora de Ciência Climática no Imperial College London, Friederike Otto.

A cientista acrescenta que, se a dependência destes combustíveis não tivesse continuado nas últimas décadas, teria sido possível evitar "a maioria" das cerca de 16.500 mortes. O risco aumentará nos próximos anos se a transição energética não for acelerada, segundo os especialistas. "Neste século, estamos a caminho de atingir temperaturas até três graus Celsius, o que trará verões muito mais quentes e mortíferos para a Europa", referiu Otto.

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