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Defesa

Alemanha desentende-se com França no projeto de novo caça europeu

20 set, 2025 - 23:25 • João Pedro Quesado

Caça de nova geração deve substituir dois modelos diferentes em 2040. Empresa francesa quer mais poder de decisão para não ter de consultar Airbus e Indra, alertando para o cumprimento do prazo.

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Um novo desentendimento entre a Alemanha e a França pode ameaçar o programa europeu para o desenvolvimento de um caça, onde os dois países contam também com a parceria da Espanha. O programa "Futuro Sistema Aéreo de Combate" (FCAS, na sigla em inglês), deve resultar num caça de nova geração para substituir, em 2040, o Rafale, da França, e o Eurofighter Typhoon, da Alemanha e Espanha.

Segundo o Politico e o Financial Times, a Alemanha está a ponderar opções para avançar no programa sem a França, tanto ao substituí-la pela Suécia ou Reino Unido, como avançando sozinha com a Espanha.

O problema estará na exigência da Dassault — a fabricante de aviões militares francesa, e líder do desenvolvimento do novo caça — em ficar com 80% da produção do novo caça, parte do Sistema de Armas de Próxima Geração, que inclui ainda drones e um sistema de cloud. Fontes oficiais da França negaram esse desejo mas, segundo o Politico, a empresa francesa disse querer mais poder de decisão no sistema, com a intenção de evitar consultar a Airbus (parceira alemã) e a Indra (parceira espanhola) no desenvolvimento do caça.

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Esta quarta-feira, em conferência de imprensa, o porta-voz do chanceler alemão disse que Alemanha e França estão a alinhar as posições, mas que "a distribuição de encargos e trabalho neste projeto de armamentos deve acontecer de acordo com o contrato", e que "não há discórdia" entre Berlim e Madrid. O contrato estipula uma divisão igual de trabalho entre os três países, de 33% para cada um.

Na quinta-feira, Pedro Sánchez afirmou, depois de um encontro com Friedrich Merz, partilhar "a avaliação que a atual situação é insatisfatória" e que "não estamos a avançar com o projeto". "Estamos ambos a falar com o governo francês, e queremos uma solução tão cedo quanto possível", disse o presidente do Governo espanhol.

"Será a atual organização, com uma partilha de trabalho e governança altamente democrática, o plano mais eficaz?", revela ao Politico uma fonte francesa do projeto, "é uma questão que temos feito aos alemães e espanhóis, e ninguém pode demonstrar que, com a atual organização e sem liderança clara, teremos uma aeronave a tempo".

Os três países têm reunião sobre o projeto marcada para outubro. A chamada fase 1B deve terminar no final de 2025, e a fase 2, que consiste na construção de uma aeronave de demonstração, deve começar de seguida, mas apenas quando houver acordo sobre avançar para a nova fase.

Não há muitos parceiros disponíveis para substituir a França no FCAS. O Reino Unido já é parceiro, com a BAE Systems, da Itália e do Japão no Programa Global de Combate Aéreo (GCAP) para construir um novo caça aéreo. O programa tem o ano de 2035 como prazo para a produção de um novo caça.

Outra solução, além de seguir apenas com a Espanha, é a Alemanha procurar a parceria da Suécia — a sueca Saab tem experiência de aviação militar e construção de caças com o Gripen.

Os Estados Unidos da América têm dois programas de desenvolvimento de um caça de sexta geração: o F-47, da Boeing, para a Força Aérea, e o F/A-XX, para a Marinha. A Rússia tem o programa do MiG-41, enquanto a China terá dois modelos em desenvolvimento, chamados por analistas de Chengdu J-36 e Shenyang J-50.

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