Para "manter viva a solução de paz", Reino Unido, Canadá e Austrália reconhecem Estado da Palestina
21 set, 2025 - 14:22 • Daniela Espírito Santo com agências
Decisão acontece "face ao horror que continua a crescer no Médio Oriente", diz primeiro-ministro britânico.
Reino Unido, Canadá e a Austrália anteciparam-se à Assembleia Geral das Nações Unidas desta segunda-feira e reconheceram já este domingo o Estado da Palestina.
“O Canadá reconhece o Estado da Palestina e oferece a sua parceria na construção da promessa de um futuro pacífico tanto para o Estado da Palestina como para o Estado de Israel”, anunciou, num comunicado, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
Quase em simultâneo, a Austrália fez o mesmo anúncio, afirmando reconhecer “as aspirações legítimas e de longa data do povo palestiniano a um Estado próprio”, afirmaram, num comunicado conjunto, o primeiro-ministro, Anthony Albanese, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong.
Também o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou este domingo o reconhecimento do Estado palestiniano pela Grã-Bretanha, rompendo com uma política de longa data, apesar da forte oposição de Israel e da desaprovação dos Estados Unidos, o aliado mais próximo do Reino Unido.
"O Hamas não tem futuro"
A decisão, assume acontece "face ao horror que continua a crescer no Médio Oriente". "Estamos a agir para manter viva a possibilidade de paz e uma solução de dois Estados. Isto significa Israel seguro e a salvo, ao lado de um Estado vibrante da Palestina. Neste momento não temos nenhum dos dois", diz Starmer, num vídeo publicado nas redes sociais.
No mesmo vídeo em que anuncia a decisão ao país (e ao mundo), faz questão de deixar claro que esta decisão não é um apoio ao Hamas. "O Hamas não tem futuro", assevera, anunciando mais sanções a figuras relacionadas com a organização terrorista.
"Este é um plano prático para juntar as pessoas. Não podemos deixar a luz destas pessoas se extinguir", diz, continuando a pedir uma solução de dois Estados.
Em paralelo, também assegurou que há crianças palestinianas a serem transportadas para o Reino Unido para serem tratadas nos hospitais britânicos.
"Para reavivar a esperança na paz e numa solução de dois Estados, o Reino Unido reconhece formalmente o estado da Palestina", repete, pedindo "um futuro melhor" para a população da região.
Estes países juntam-se, assim, a mais de 140 outros membros das Nações Unidas que reconheceram um Estado palestiniano. Mas a decisão de Starmer tem um peso simbólico, dado que o Reino Unido tem sido um aliado fundamental de Israel e desempenhou um papel fundamental na sua criação como nação moderna após a Segunda Guerra Mundial.
Recorde-se que, numa ação que colocou Starmer em conflito com o presidente norte-americano, Donald Trump, o Reino Unido emitiu um ultimato a Israel em julho, afirmando que reconheceria a Palestina na Assembleia Geral das Nações Unidas, a menos que Israel tomasse medidas para pôr fim à "terrível situação" em Gaza.
Vários outros países, incluindo França e Bélgica, deverão também reconhecer formalmente um Estado palestiniano esta semana na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. Portugal também o fará ainda hoje.
- Noticiário das 19h
- 18 jul, 2026





