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Rei de Espanha "implora" a Israel que "pare já este massacre" na Faixa de Gaza

24 set, 2025 - 14:48 • João Pedro Quesado

Felipe VI pediu que não haja "mais mortes em nome de um povo tão sábio e tão antigo", e sublinhou as "raízes sefarditas" de Espanha. "Um mundo sem normas é uma terra incógnita", declarou, em defesa das regras que fundaram a ONU.

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O rei Felipe VI pediu esta quarta-feira a Israel que pare os ataques na Faixa de Gaza, "atos aberrantes" que vão contra "tudo" o que as Nações Unidas representam. No segundo dia da 80.ª Assembleia Geral da ONU, o chefe de Estado de Espanha focou a intervenção na situação na Palestina, que teve reconhecimento espanhol em 2024.

"Não podemos ficar em silêncio, nem olhar para outro lado, perante a devastação, os bombardeamentos, inclusive de hospitais, escolas ou lugares de refúgio; perante tantas mortes entre civis; ou perante a fome e o deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas. Com que destino", interrogou o rei espanhol, descrevendo as ações de Israel como "atos aberrantes que estão nos antípodas de tudo o que este fórum representa".

"Repugnam a consciência humana e envergonham o conjunto da comunidade internacional", afirmou Felipe VI, declarando depois que Espanha é "um povo profundamente orgulhoso das suas raízes sefarditas".

"Por isso nos dói tanto, nos custa tanto compreender o que o governo israelita está a fazer na Faixa de Gaza. Por isso clamamos, imploramos, exigimos: parem já este massacre", afirmou o monarca, pedindo que não haja "mais mortes em nome de um povo tão sábio e tão antigo, que tanto tem sofrido ao longo da história".

Felipe VI condenou novamente a "matança brutal de 7 de outubro de 2023" e o "terrorismo execrável do Hamas", e reconheceu "o direito de Israel a defender-se".

"Mas, com a mesma firmeza, exigimos que o governo de Israel aplique sem reservas o direito internacional humanitário em toda a Gaza e Cisjordânia. Exigimos que a ajuda humanitária chegue sem atrasos, um cessar-fogo com garantias e a libertação imediata de todos os reféns que o Hamas ainda retém com tanta crueldade", apontou o líder espanhol, sublinhando que "a comunidade internacional deve assumir a sua responsabilidade para tornar realidade o quanto antes uma solução viável que contemple a existência de dois Estados".

No primeiro discurso do segundo dia da Assembleia Geral da ONU, o rei Felipe VI criticou ainda as "vozes que preconizam o fim do multilateralismo e a obsolescência e ineficácia das Nações Unidas" — como Donald Trump, no primeiro dia do encontro internacional —, e defendeu as regras da Carta das Nações Unidas.

"Um mundo sem normas é uma terra incógnita; um tempo sem normas é uma Idade Média", afirmou Felipe VI, questionando qual das palavras no preâmbulo da Carta da ONU — "a paz, a dignidade, a igualdade, a justiça, o progresso" — "deixou de estar vigente" e de "supor uma exigência ética implacável".

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