Moldova
Maia Sandu pede a cidadãos moldavos em Portugal que votem para defender a democracia
27 set, 2025 - 10:27 • André Campos Ferrão, da agência Lusa
"Conheço a diáspora em Portugal e sei que Portugal gosta e se preocupa com a Moldova. Eles [os cidadãos moldavos em Portugal] têm de saber que são necessários", comentou a Presidente da República da Moldova.
A Presidente da Moldova disse que "precisa da ajuda" da diáspora em Portugal nas eleições parlamentares de domingo, para defender a democracia no país, e agradeceu às autoridades portuguesas o acolhimento da comunidade no país do outro lado da Europa.
"Eles precisam de saber que a Moldova precisa da ajuda deles no domingo", disse Maia Sandu, num apelo que fez em entrevista à Lusa, a partir de Chisinau.
Com 2,4 milhões de habitantes, a Moldova tem enfrentado várias crises desde a invasão russa à vizinha Ucrânia, em 2022, pondo em risco o Governo pró-europeu de Chisinau, que considera a adesão ao bloco europeu como crucial para se libertar da esfera de influência de Moscovo.
Sondagens recentes mostraram que o Partido Ação e Solidariedade (PAS), pró-europeu e atualmente no poder, poderá ter dificuldades em manter a sua maioria e necessitar de uma coligação.
Qualquer que seja a coligação, o resultado parece ser sempre o mesmo: complica a possibilidade de a Moldova entrar na União Europeia até 2030, objetivo definido pela Presidente, Maia Sandu, apesar de um referendo realizado em 2024 ter dado vitória a esse caminho.
Forças da oposição, como o Bloco Patriótico pró-Rússia e a aliança pró-Europa Alternativa têm tentado conquistar os eleitores, muitos dos quais não escondem a insatisfação com os aumentos dos preços, a lentidão das reformas e a corrupção.
Neste cenário, tanto o Governo como a Presidente esperam que a diáspora moldava mantenha o apoio dado já nas presidenciais e consiga fazer a diferença.
"Conheço a diáspora em Portugal e sei que Portugal gosta e se preocupa com a Moldova. Eles [os cidadãos moldavos em Portugal] têm de saber que são necessários", comentou a Presidente da República da Moldova.
Sobre as relações com Portugal, Maia Sandu reconheceu que ao longo dos anos "foi possível construir uma relação" com Lisboa e saber que o país "adora os moldavos" e "em todo o lado também" é uma comunidade apreciada.
"Aprecio muito a excelente relação com Portugal e, claro, no coração disto tudo está a nossa diáspora", defendeu Maia Sandu.
Na Moldova, a maioria dos cidadãos fala a língua romena, mas há uma "grande minoria" que ainda se exprime em russo, e o poder político alterna há décadas entre grupos pró-Rússia e pró-Europa.
Tropas russas estão estacionadas na Transnístria, região que se separou do controlo de Chisinau na sequência de uma breve guerra, no início da década de 1990.
Tanto o Governo como a Presidente esperam que a diáspora moldava mantenha o apoio dado já nas presidenciais e consiga fazer a diferença.
De acordo com dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Integração Europeia da Moldova, entre 1,11 e 1,25 milhões de cidadãos moldavos viviam no estrangeiro em 2022. Os números devem ser até superiores, já que só contabilizam 32 países.
Entre os principais destinos dos moldavos, contam-se a Roménia, a Itália, a França e a Alemanha, mas Portugal e Espanha também têm uma grande percentagem daqueles emigrantes.
Os eleitores no estrangeiro não são refletidos nos dados das sondagens, mas geralmente apoiam partidos pró-europeus.
Contactada pela Lusa, a embaixada moldava em Lisboa afirmou que, em Portugal — e de acordo com a referência das últimas eleições presidenciais -- votarão, no domingo, cerca de 6.700 cidadãos, que se irão distribuir por seis assembleias de voto em Lisboa, Cascais, Setúbal, Porto, Faro e Portimão.
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