29 set, 2025 - 09:04 • Daniela Espírito Santo , Diogo Camilo com agências
A União Europeia celebrou na segunda-feira o resultado das eleições parlamentares da Moldova, afirmando que estas demonstram que o pequeno país da Europa de Leste está firmemente no bom caminho para aderir à União Europeia.
O partido governamental pró-UE da Moldova obteve uma vitória estrondosa sobre o seu rival de tendência russa nas eleições de domingo, mostraram os resultados na segunda-feira, um endosso à tentativa da antiga república soviética de se juntar ao bloco e libertar-se da órbita da Rússia.
"O povo da Moldova manifestou-se e a sua mensagem é alta e clara", disse António Costa, presidente do Conselho Europeu, que representa os 27 Estados-membros da UE, numa publicação no X.
"Escolheram a democracia, a reforma e um futuro europeu, face à pressão e à interferência da Rússia", disse Costa.
Mensagem similar fez , também no antigo Twitter, a responsável da Comissão Executiva da UE, Ursula von der Leyen, que, naquela rede social, afirmou que a Moldova votou claramente pela Europa, pela democracia e pela liberdade.
"A nossa porta está aberta. E estaremos convosco em cada passo do caminho", acrescentou.
Também no X, o Presidente francês, Emmanuel Macron, celebrou a vitória do partido europeísta. "A França está ao lado da Moldova nas suas aspirações europeias e no seu desejo de liberdade e soberania", escreveu naquela rede social.
Este domingo, a Moldova foi a eleições e escolheu maioritariamente o Partido de Ação e Solidariedade (PAS), o partido pró-europeu que já estava no poder. Surgiram, assim, à frente do Bloco Patriótico, uma coligação entre o Partido Socialista e o Partido Comunista moldavos.
As sondagens eleitorais que antecederam a eleição colocaram o PAS e o Bloco Patriótico empatados, com nenhuma das duas probabilidades de chegar perto da maioria. A contagem quase final da comissão eleitoral da Moldávia permite ao governo prosseguir a sua meta de adesão à UE até 2030.
Com quase todos os votos apurados, o PAS obteve 50,1% dos votos, contra 24,2% do Bloco Patriótico, que procurava aproximar a Moldova de Moscovo.
Esta era considerada por muitos a mais importante eleição desde a independência da Moldova da União Soviética, em 1991. O dia de eleições foi marcado por acusações mútuas de interferência nas eleições, incluindo tentativas de interromper o ato eleitoral através de ataques informáticos à infraestrutural eleitoral e falsas ameaças de bomba em mesas de voto.
O cenário foi confirmado por Stanislav Secrieru, conselheiro de segurança nacional de Sandu, que disse que as infraestruturas eleitorais e os sites governamentais foram alvo de ataques cibernéticos e que foram feitas falsas ameaças de bomba nos locais de voto na Moldova e no estrangeiro.
No domingo, o colíder do Bloco Patriótico, Igor Dodon, antigo presidente moldavo, convocou protestos para o dia seguinte em frente ao parlamento, alegando que Sandu planeava anular a votação. Não apresentou provas. As autoridades, que também alertaram para as tentativas apoiadas pela Rússia de incitar a agitação após a votação, vão acompanhar de perto se Dodon cumprirá a ameaça e que tipo de público poderá atrair caso o faça.
O líder do Partido de Ação e Solidariedade (PAS), o partido pró-europeu moldavo, Igor Grosu, congratulou-se com a conquista da maioria, defendendo que foi uma vitória do povo. "Não foi só o PAS que ganhou as eleições: foi o povo que ganhou", disse.
"O PAS tem uma maioria parlamentar, uma maioria parlamentar pró-europeia, apenas porque vocês nos deram essa confiança e essa oportunidade", acrescentou, acusando a Rússia de empregar "métodos sujos" para interferir na eleição.
O PAS fez campanha com o compromisso de continuar o caminho da Moldova para a adesão à União Europeia, assinando um tratado de adesão ao bloco dos 27 até 2028, duplicando os rendimentos, modernizando as infraestruturas e combatendo a corrupção.
oncluída a contagem de votos das legislativas, a Presidente da Moldova deverá agora nomear um primeiro-ministro PAS, que formará Governo sem necessidade de coligações. De acordo com a Comissão Eleitoral Central, cerca de 1,6 milhões de pessoas, ou seja, 52,1% dos eleitores, votaram nas eleições de domingo, sendo que 280 mil o fizeram em mesas de voto instaladas no estrangeiro.
Na segunda-feira, o Kremlin acusou as autoridades moldavas de impedirem centenas de milhares de moldavos que vivem na Rússia de votar nas eleições de domingo, ao disponibilizarem apenas duas assembleias de voto à grande diáspora. O partido no poder da Moldávia, pró-União Europeia, obteve uma vitória estrondosa sobre o seu rival de tendência russa nas eleições parlamentares, segundo os resultados. Questionado sobre se Moscovo reconheceu os resultados, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, observou que algumas forças políticas na Moldávia tinham mencionado violações.
Três pessoas foram detidas, suspeitas de conspirar para causar distúrbios após a votação.
A Moldova, com uma população de 2,4 milhões de pessoas, é afetada pela guerra na vizinha Ucrânia, pela alegada interferência russa e pela escassez de energia. A ex-república soviética oscila há décadas entre grupos pró-europeus e pró-Rússia. O Bloco Patriótico e outros grupos da oposição procuraram explorar a indignação dos eleitores com a crise económica e o ritmo lento das reformas — queixas agravadas pelo que as autoridades dizem ter sido desinformação generalizada.
A inflação mantém-se teimosamente elevada, cerca de 7%, enquanto os moldavos também suportam custos mais elevados com energia importada.
Cerca de de um terço do país — a Transnístria, a leste do rio Dniester — é controlado por uma administração pró-Rússia dissidente e abriga uma pequena guarnição russa.
[Notícia atualizada às 10h56 de 29 de setembro de 2025 para acrescentar declarações do líder do Partido de Ação e Solidariedade]