02 out, 2025 - 13:35 • Reuters
Os Estados Unidos da América vão fornecer à Ucrânia informações secretas sobre alvos de infraestruturas energéticas de longo alcance dentro da Rússia, disseram dois responsáveis à Reuters esta quarta-feira, enquanto ponderam enviar mísseis a Kyiv que poderiam ser usados nesses ataques.
Os EUA também estão a pedir aos aliados da NATO que forneçam apoio semelhante, confirmaram os responsáveis norte-americanos, validando detalhes inicialmente divulgados pelo Wall Street Journal.
Washington já partilhava informações com Kyiv há algum tempo, mas segundo o Wall Street Journal, será agora mais fácil para a Ucrânia atingir infraestruturas como refinarias, oleodutos e centrais elétricas, com o objetivo de privar o Kremlin de receitas e petróleo.
O Presidente Donald Trump tem pressionado os países europeus a deixarem de comprar petróleo russo, em troca do seu acordo para impor sanções severas a Moscovo, numa tentativa de cortar o financiamento à invasão da Ucrânia.
Em resposta, o Kremlin afirmou que, tanto os EUA como a aliança da NATO, já estavam a fornecer informações à Ucrânia regularmente.
"Os Estados Unidos transmitem informações à Ucrânia regularmente online", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas.
"O fornecimento e a utilização de todas as infraestruturas da NATO e dos Estados Unidos para recolher e transferir informações para os ucranianos são óbvios".
De facto, e segundo o Wall Street Journal, Washington partilha há muito tempo informações com Kiev, mas nunca declarou abertamente a sua participação em ataques a instalações energéticas russas, e os EUA têm receio de se envolverem diretamente em ataques à Rússia.
A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters sobre as reportagens, que surgem no meio de um endurecimento da retórica do presidente norte-americano, Donald Trump, em relação à Rússia, menos de dois meses depois de este ter recebido o líder russo, Vladimir Putin, numa cimeira no Alasca.
Trump manifestou profunda frustração com a recusa de Putin em concordar com um cessar-fogo na Ucrânia. Entretanto, as forças russas continuam a avançar no leste da Ucrânia, enquanto alguns líderes europeus se queixam de incursões regulares de drones russos no seu espaço aéreo. Moscovo nega violar intencionalmente o espaço aéreo da NATO.
A Ucrânia tem atacado repetidamente as refinarias russas nos últimos dois meses, interrompendo o processamento e provocando um forte aumento das exportações de crude da Rússia, que é já o segundo maior exportador de petróleo do mundo.
Esta decisão surge enquanto os EUA ponderam também um pedido da Ucrânia para obter mísseis Tomahawk, com um alcance de 2.500 km – suficiente para atingir Moscovo e grande parte da Rússia europeia a partir da Ucrânia.
A Ucrânia desenvolveu também o seu próprio míssil de longo alcance, chamado Flamingo, mas desconhece-se a quantidade disponível, pois está ainda em fase inicial de produção.
Segundo os responsáveis norte-americanos citados pelo Wall Street Journal, a aprovação para o envio de inteligência adicional surgiu pouco antes de Trump publicar nas redes sociais, na semana passada, que a Ucrânia poderia recuperar todo o território ocupado pela Rússia – uma mudança retórica significativa a favor de Kyiv.
“Depois de ver os problemas económicos que a guerra está a causar à Rússia, acredito que a Ucrânia, com o apoio da União Europeia, está em posição de lutar e VENCER, recuperando toda a Ucrânia na sua forma original”, escreveu Trump na Truth Social, na terça-feira passada, após se reunir com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy.
A Rússia lançou a sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, chamando-lhe uma “operação militar especial” para travar a aproximação geopolítica de Kyiv ao Ocidente e o que considera ser uma perigosa expansão da NATO para leste.
Kyiv e os aliados europeus consideram a invasão uma tentativa imperialista de conquista territorial.
Trump iniciou o seu segundo mandato como presidente em janeiro, prometendo acabar rapidamente com a guerra na Ucrânia.
“O Presidente Trump é um tipo especial de político. Gosta de soluções rápidas, e esta é uma situação onde soluções rápidas não funcionam”, disse o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa que assinalou o início da presidência russa do Conselho de Segurança da ONU em outubro.
Nebenzia citou também o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, dizendo que, se os EUA decidirem fornecer Tomahawks à Ucrânia, “isso não mudará a situação no campo de batalha”.
É a primeira vez que os EUA vão ajudar a Ucrânia com ataques de longo alcance em território russo contra alvos energéticos, disseram os responsáveis ao Wall Street Journal.
As receitas energéticas continuam a ser a principal fonte de financiamento do Kremlin para o esforço de guerra, tornando as exportações de petróleo e gás um alvo central das sanções ocidentais.
Trump tomou medidas para impor uma tarifa adicional sobre importações da Índia, pressionando Nova Deli a parar de comprar petróleo russo com desconto, e tem feito pressão sobre países como a Turquia para que também deixem de comprar petróleo a Moscovo.
Mais cedo, esta quarta-feira, os ministros das Finanças do G7 anunciaram que vão tomar medidas conjuntas para aumentar a pressão sobre a Rússia, visando aqueles que continuam a aumentar as compras de petróleo russo e os que facilitam a sua evasão.