Polícia declara ataque à sinagoga de Manchester como "incidente terrorista"
02 out, 2025 - 11:18 • Daniela Espírito Santo
Atacante matou duas pessoas antes de ser baleado pela polícia. Há mais dois detidos. Primeiro-ministro do Reino Unido reforça polícia junto a outras sinagogas do país, em dia sagrado do calendário judaico, o Yom Kippur.
Duas pessoas morreram num ataque junto a uma sinagoga, esta quinta-feira, em Manchester.
De acordo com o mais recente balanço das autoridades, duas pessoas perderam a vida na sequência de um atropelamento intencional seguido de um esfaqueamento.
O atacante foi baleado pela polícia e acabou também por morrer. Haverá ainda três feridos graves, um deles um segurança que tentou impedir o suspeito de entrar naquele templo judaico.
Em conferência de imprensa, ao inicio da tarde, a polícia antiterrorismo britânica confirmou que se tratou de um "incidente terrorista". Aos jornalistas, o comissário Laurence Taylor confirmou que o atacante foi morto a tiro pela polícia e que era conhecida a sua identidade. Pelo menos mais duas pessoas foram, no entretanto, detidas.
"Com base no que sabemos, a polícia antiterrorismo declarou incidente terrorista", disse numa conferência de imprensa em frente à Scotland Yard, em Londres.
Sinagoga estava cheia
O incidente, que foi considerado como um ataque pelas autoridades, aconteceu perto de uma sinagoga em Manchester, Reino Unido. De acordo com a Agência Reuters, os polícias chegaram rápido ao local e dispararam sobre o suspeito. Havia suspeitas de que o suspeito teria um objeto explosivo consigo, o que levou à evacuação da zona. Uma brigada de minas e armadilhas esteve no local e procedeu a uma explosão controlada do veículo usado pelo atacante.
O ataque aconteceu perto das 9h30 desta quinta-feira junto à Congregação Hebraica de Heaton Park, em Crumpsall, norte de Manchester. No local permanece uma forte presença policial, bem como várias ambulâncias. Algumas casas da zona foram revistadas pelas autoridades.
De acordo com testemunhas, o suspeito terá tentado entrar no local atropelando quem se atravessou no seu caminho, depois de ter conduzido de forma errática pela zona. Saiu do carro e tentou esfaquear quem se encontrava junto à porta do templo, que se encontrava cheio e foi barricado assim que os presentes se aperceberam do que se estava a passar.
Já ao início da tarde, as autoridades antiterrorismo anunciaram, numa declaração aos jornalistas, que acreditam que o ataque à sinagoga de Manchester teve provavelmente uma "motivação terrorista".
Reforço policial junto a sinagogas britânicas
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi das primeiras figuras a reagir ao incidente, que apelidou de "ataque horrendo".
"Estou chocado com o ataque na sinagoga em Crumpsall. O facto de ter ocorrido no Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico, torna tudo ainda mais horrível", diz, numa publicação na rede social X, antigo Twitter.
No seguimento do incidente, Keir Starmer anunciou um reforço policial junto às sinagogas do Reino Unido e abandonou mais cedo uma reunião europeia em Copenhaga para lidar com o incidente em solo britânico.
Embaixada israelita condena ataque "abominável e profundamente angustiante"
A embaixada israelita já condenou o que aconteceu em Manchester, um ataque que é descrito como "abominável e profundamente angustiante" num comunicado citado pelo jornal The Guardian.
"Que tal ato de violência seja perpetrado no dia mais sagrado do calendário judaico, num local de oração e comunidade, é abominável e profundamente angustiante", é dito, numa mensagem em que agradece a "rápida resposta" da polícia britânica.
"A segurança das comunidades judaicas no Reino Unido deve ser garantida", pedem.
[Notícia atualizada às 15h48 de 2 de outubro de 2025 para acrescentar mais detalhes e declarações]
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