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Tibete

"Hipotermia é um risco real.” Tempestade súbita deixa centenas de montanhistas retidos no Evereste

06 out, 2025 - 17:34 • Reuters

Mau tempo deste calibre não é normal nesta altura do ano. Centenas de montanhistas foram resgatados, mas muitos ainda esperam ajuda. Há, pelo menos, um morto.

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Centenas de montanhistas que faziam trekking num vale tibetano ficaram encurralados por um nevão, pouco habitual nesta altura do ano, junto à face oriental do Monte Evereste, no Tibete.

Cerca de 350 turistas foram conduzidos em segurança por equipas de resgate, segundo noticiaram os meios de comunicação estatais chineses, enquanto chuvas e nevões invulgarmente intensos assolavam os Himalaias. No entanto, cerca de 200 ainda esperavam ajuda. Há uma vítima mortal a lamentar em Qinghai, segundo as informações divulgadas pela imprensa.

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Os 350 turistas resgatados chegaram à pequena localidade de Qudang e o contacto com mais de 200 outros montanhistas — que tinha sido perdido — foi entretanto estabelecido, segundo a televisão estatal CCTV. Do lado do Tibete, a imprensa divulgou um vídeo mostrando centenas de pessoas a serem recebidas com sopa quente num salão comunitário, antes de embarcarem em autocarros que os retiraram da zona afetada.

Os visitantes do remoto vale de Karma, que conduz à face oriental Kangshung do Everest, contavam-se às centenas esta semana, aproveitando os oito dias de feriado nacional na China.

“O tempo este ano não é normal"

“Estava tão húmido e frio nas montanhas, e a hipotermia é um risco real”, disse Chen Geshuang, integrante de um grupo de 18 montanhistas que conseguiu chegar a Qudang. “O tempo este ano não é normal. O guia disse que nunca tinha encontrado um clima assim em outubro. E tudo aconteceu de forma súbita.”

O grupo de Chen desceu da montanha no domingo e foi recebido com chá doce pelos habitantes locais, após uma noite angustiante de neve intensa acompanhada de trovões e relâmpagos.

Centenas de habitantes locais e equipas de resgate foram mobilizados para remover a neve que bloqueava o acesso à região, onde cerca de mil pessoas ficaram presas, segundo um relatório anterior do portal noticioso estatal Jimu News.

Os restantes montanhistas deverão chegar a Qudang de forma faseada, com o apoio das equipas de resgate organizadas pelo governo local, indicou a CCTV.

Dois homens e uma mulher do grupo sofreram hipotermia

A queda de neve no vale, situado a uma altitude média de 4.200 metros, começou na noite de sexta-feira e prolongou-se até sábado. “Chovia e nevava todos os dias, e nem chegámos a ver o Everest”, contou Eric Wen, que sobreviveu ao episódio.

O grupo de Wen, composto por 18 pessoas, decidiu na noite de sábado regressar ao quinto e último acampamento, preocupados com o nevão. “Tínhamos apenas algumas tendas. Mais de dez de nós dormimos juntos na tenda maior e quase não dormimos”, relatou Wen à Reuters na segunda-feira.

O grupo teve de limpar a neve a cada 10 minutos, “caso contrário, as tendas teriam colapsado”, explicou.

Dois homens e uma mulher do grupo sofreram hipotermia, mesmo estando bem equipados, disse Wen.

Apesar disso, a expedição terminou praticamente sem feridos, incluindo os oito guias e vários assistentes que acompanhavam os iaques encarregues de transportar o equipamento.

Vale de Karma

O vale de Karma, explorado por viajantes ocidentais há cerca de um século, é uma das zonas mais selvagens da região do Everest. Ao contrário da face norte árida, apresenta vegetação exuberante e florestas alpinas intocadas, alimentadas pelas águas do glaciar Kangshung, situado no sopé da montanha mais alta do mundo.

Não se sabe se os caminhantes na zona da face norte — que atrai muitos turistas pela facilidade de acesso por estrada pavimentada — foram afetados. Outubro é tradicionalmente época alta, quando o céu costuma abrir-se após o final da monção indiana.

A sul do Tibete, no Nepal, as chuvas intensas provocaram deslizamentos de terras e cheias repentinas que bloquearam estradas, destruíram pontes e causaram pelo menos 50 mortos desde sexta-feira.

Trinta e sete pessoas morreram em deslizamentos distintos no distrito oriental de Ilam, junto à fronteira com a Índia.

Um montanhista sul-coreano morreu no Nepal, e o seu corpo foi recuperado por um helicóptero de resgate na segunda-feira, afirmou Tulsi Gurung, presidente da Associação Nacional de Guias de Montanha do Nepal. O seu guia foi resgatado com vida.

O excursionista, cujo nome não foi divulgado, subiu ao Pico Mera (6.476 metros) no sábado.

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