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Natureza

Maçarico-de-bico-fino é a primeira ave a ficar extinta na Europa em 500 anos

16 out, 2025 - 15:07 • Diogo Camilo

Ave foi vista pela última vez em Marrocos, há mais de 30 anos. Entre outras espécies que foram declaradas extintas está um tipo de diospiro, um caracol-cone e o musaranho-da-ilha-natal.

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Depois de vários alertas, chega a confirmação da União Internacional para a Conservação da Natureza: o maçarico-de-bico-fino, avistado pela última vez há 30 anos, foi declarado extinto e passa a ser a primeira espécie de ave em território europeu a deixar de existir em 500 anos.

Segundo uma atualização da lista em risco de extinção, feita no último dia 10, seis espécies de animais e duas de plantas foram colocadas na categoria de "extintas" - o maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris) é uma delas.

No final do ano passado, um grupo de especialistas publicou um artigo científico no qual declarava a espécie como efetivamente extinta, pedindo a sua atualização na lista da IUCN. A espécie, que já vinha em declínio desde o início do século XX, chegou a ter projeções que apontavam para a sua extinção na década de 1940, tendo aguentado até 1995, a última vez em que foi avistada, em Marrocos.

A ave, que construía os seus ninhos nas zonas húmidas no sul da Rússia e em partes do Cazaquistão, voava até sul de Itália e norte de África nos meses mais frios do ano.

Outras espécies que entraram na categoria de "extinta" são o musaranho-da-ilha-natal (Crocidura trichura), uma espécie de caracol-cone (Conus lugubris), ambos vistos pela última vez no final da década de 1980; e uma espécie de diospiro (Diospyros angulata) vista pela última vez no início da década de 1850.

Há ainda três espécies de mamíferos australianos - a marga (Perameles myosuros), e duas espécies de marsupiais (Perameles notina e Perameles papillon) - e uma planta nativa do Havaí, a Delissea sinuata, que entraram diretamente para a lista de espécies como "Extintas".

Entre mais de 172 mil espécies na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza, mais de 48 mil estão em ameaça de extinção.

A atualização da última sexta-feira veio incluir nesta categoria animais como a foca-de-capuz (Cystophora cristata), que passou de "Vulnerável" para "Ameaçada", ou a foca-barbuda (Erignathus barbatus) e a foca-da-Groenlândia (Pagophilus groenlandicus), que passaram de "Pouco Preocupante" para "Quase Ameaçada".

Entre as espécies com maior declínio estão as aves, em que mais de 10% das espécies estão ameaçadas e mais de metade tem visto a sua população a diminuir, devido à degradação de habitat causada pela expansão e intensificação da agricultura e pela exploração de madeira.

Em sentido contrário, a tartaruga-verde (Chelonia mydas) passou de espécie "em perigo" para menos preocupante, graças a décadas de ações de conservação sustentadas, que fizeram com que a população aumentasse quase 30% desde a década de 1970.

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