19 out, 2025 - 11:23 • Diogo Camilo
Israel lançou este domingo uma séries de ataques aéreos sobre Rafah, no sul da Faixa de Gaza, após acusar o Hamas de romper o acordo de cessar-fogo ao atacar uma unidade de engenharia militar.
Os ataques, ainda não avançados por Israel ou divulgados pelo Hamas, foram confirmados por fontes militares ao Times of Israel, que indica que os mesmos se tratam de uma resposta a um ataque a uma escavadora militar israelita.
Ao mesmo tempo, o ministro da Segurança Nacional de Israel pediu um "regresso à luta em larga escala", instando Netanyahu a retomar a ofensiva contra a Faixa de Gaza após o fogo cruzado em curso entre tropas e militantes em Rafah.
“Peço ao primeiro-ministro que ordene às Forças de Defesa de Israel (FDI) que retomem totalmente os combates na Faixa de Gaza com todo o seu efetivo”, disse Itamar Ben Givr.
Os ataques acontecem depois de na sexta-feira o exército israelita ter avançado que o Hamas abriu fogo sobre soldados israelitas, apesar de não terem sido registados feridos. No mesmo dia, Israel indicou que as forças do Hamas estavam a avançar sobre Khan Younis.
No sábado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, avançou que a fronteira em Rafah iria permanecer fechada até aviso contrário, após a embaixada palestiniana no Egito ter indicado que a mesma iria reabrir esta segunda-feira.
O Hamas respondeu, indicando que a decisão de Netanyahu representa "uma rejeição dos compromissos que assumiu" e signifca uma "violação fralgrante" do acordo de paz.
Os últimos dias têm sido de troca de culpas sobre o romper do acordo de cessar-fogo na região, com os Estados Unidos a terem dado conta de "relatos credíveis de violações iminentes do cessar-fogo" por parte do Hamas, algo que o grupo islâmico desmente.
O cessar-fogo em Gaza - proposto pelos Estados Unidos e acordado entre Israel e o Hamas - está em vigor desde o dia 10 de outubro, prevendo três fases: a libertação dos reféns, o desarmamento do Hamas e a reconstrução gradual do território, sob supervisão internacional.
A segunda etapa, centrada na “desmilitarização”, continua a ser a mais controversa e a que Israel considera essencial para pôr fim ao conflito.
Faixa de Gaza
Reabertura da passagem será tida em conta, depende(...)
As autoridades israelitas anunciaram este domingo ter identificado os restos mortais de um dos dois reféns entregues no sábado pelo movimento islamita palestiniano Hamas.
O Exército israelita adiantou ter “informado a família do refém Ronen Engel” sobre o regresso dos seus restos mortais a Israel, declaração confirmada num comunicado do gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
Nessa declaração, Israel reiterou que não faria “nenhum acordo” e não pouparia esforços até que todos os reféns mortos mantidos na Faixa de Gaza fossem repatriados.
Ronen Engel, de 54 anos, residente no ‘Kibutz’ Nir Oz (sul de Gaza), foi raptado da sua casa e morto a 07 de outubro de 2023, quando os comandos do Hamas lançaram um ataque sem precedentes no território de Israel, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
O seu corpo foi transportado para a Faixa de Gaza e a sua morte foi anunciada por Israel a 01 de dezembro de 2023.
A sua mulher, Karina, e as suas duas filhas, Yuval e Mika, também foram raptadas no mesmo dia, mas foram libertadas durante o primeiro acordo de cessar-fogo com o Hamas, em novembro de 2023, após 52 dias de cativeiro.
Dois corpos, incluindo o de Engel, foram entregues pela Cruz Vermelha Internacional às forças de segurança israelitas em Gaza no sábado à noite, antes de serem transferidos para um centro forense para identificação.
As autoridades israelitas ainda não anunciaram a identidade do outro cadáver.
Segundo os termos do acordo de cessar-fogo, que entrou em vigor a 10 de outubro último, após dois anos de guerra que devastaram a Faixa de Gaza, o Hamas estava obrigado a libertar todos os reféns, vivos e mortos, que ainda mantinha em seu poder até 13 de outubro.
O movimento islamita palestiniano libertou os últimos 20 reféns vivos a tempo, mas ainda só devolveu 12 dos 28 corpos que mantinha em seu poder, alegando que não tem acesso aos outros ou é demasiado complicado para os recursos que tem disponíveis.
Com Lusa