Tecnologia
Apagão na Amazon. Já há "sinais de recuperação" nos sites e aplicações que estiveram em baixo
20 out, 2025 - 14:04 • Redação
Snapchat, Roblox, Signal, Duolingo e até o banco britânico Lloyds mostraram falhas de acesso num "efeito em dominó", confirma a empresa multinacional de tecnologia.
Um erro informático nos serviços Amazon Web Services afetou, durante a manhã desta segunda-feira, dezenas de sites e aplicações em todo o mundo. Para além do próprio site de mercado digital e a empresa de videoporteiros Ring, as aplicações Snapchat, Roblox, Signal, Duolingo e até o banco britânico Lloyds mostraram falhas de acesso.
Milhares de utilizadores reportaram, nas redes sociais, dificuldades em aceder aos serviços online devido a problemas na computação em "cloud" (em português, "nuvem") da Amazon, ou seja, na rede extensa de servidores digitais da plataforma que armazena conteúdos. A empresa multinacional de tecnologia confirmou um "efeito em dominó".
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Uma hora e meia após as primeiras denúncias de sites estarem em baixo, a AWS comunicou pelas 10h30 que já se mostravam "sinais significativos de recuperação", indicando que o problema teve origem numa unidade de servidores nos Estados Unidos da América (EUA).
Em reação ao apagão na Amazon, o especialista em cibersegurança, Rui Duro, disse à Renascença que "não seria expectável que um problema que aconteceu na Carolina do Norte viesse a influenciar o resto do mundo". Porém, este fenómeno é um sinal da "interdependência na internet entre diferentes regiões".
"Não é suposto, mas quando acontecem estes eventos atípicos toda a estrutura colapsa", explicou Rui Duro. "Não importa se os dados estão nos EUA ou na Europa."
O diretor de inteligência de ameaças da empresa de cibersegurança Sophos, Rafe Pilling, afirmou ao jornal "The Guardian" que esta situação tratou-se de uma falha técnica e não um ciberataque. "A AWS tem uma presença ampla e complexa, por isso, qualquer problema pode causar grandes interrupções. Tudo indica que se trata de um problema técnico relacionado com a base de dados", descreve o especialista.
No entanto, são nestes momentos que os "cibercriminosos" atacam para "procurar dinheiro ou valor em informação", partilhou o especialista português.
"Há grupos que partilham rapidamente campanhas de phishing, de falsas ajudas, brand phising ao criar sites falsos iludindo as pessoas a achar que é o site verdadeiro – este é o lado negro que, se calhar, já estará a acontecer a nível mundial nos próximos dias", alertou.
Em reação ao apagão, outros especialistas alertam para uma maior distribuição da "nuvem" por mais empresas, já que este é um exemplo do perigo de concentrar vários conteúdos digitais apenas nas mãos da Amazon.
"Dependendo da dimensão da empresa – principalmente os operadores de serviços críticos, como o banco, tribunal ou serviços de saúde – deve-se ter uma estratégia 'multicloud' para ter diferentes operadores que possam garantir resiliência ou ter serviços tanto num operador público como num privado para apressar os serviços, a partir de servidores próprios", aconselha Rui Duro em caso de "desastre" tecnológico.
Já o governo do Reino Unido confirmou estar em contacto com a Amazon para "restaurar os serviços o mais rapidamente possível", já que muitos serviços dependem dos serviços da empresa norte-americana.
Wordle, Coinbase, Slack, Pokémon Go, Epic Games, Playstation Network e Peloton também pertenceram à lista de serviços digitais afetados.
A Amazon Web Services (AWS) é a maior plataforma de computação de "nuvem" do mundo.
[Notícia atualizada às 19h24 para acrescentar declarações do especialista em cibersegurança, Rui Duro]
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