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Aquecimento Global

Uso global de carvão atinge recorde em 2024 apesar do crescimento de energias renováveis

22 out, 2025 - 14:29 • Redação

"Simplesmente não estamos a agir com a rapidez necessária", esclareceu a investigadora Clea Schumer, assegurando que os esforços para transitar para energias renováveis ainda são insuficientes.

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O uso de carvão quebrou um novo recorde em todo o mundo no ano passado, revelando que o mundo não está a conseguir cumprir com a meta internacional do Acordo de Paris de 2015 para limitar o aquecimento global acima de 1,5ºC, reportou o jornal britânico "The Guardian".

Como se lê no relatório anual "Estado da Ação Climática" publicado esta quarta-feira, os esforços governamentais para transitar para energias limpas ainda não são suficientes para cumprir o objetivo de lutar contra a crise climática. Ou seja, embora a proporção de carvão na produção de eletricidade tenha diminuído graças ao crescimento "exponencial" das renováveis, o aumento na procura de energia fez com que o consumo total de carvão subisse.

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Os países estão a falhar nos objetivos de redução de emissão de gases com efeito de estufa, embora estarem a subir a um ritmo mais lento. A investigadora da organização "Instituto de Recursos Mundiais" (WRI) que liderou o estudo, Clea Schumer, afirmou que este "cenário preocupante" já se repete há cinco anos consecutivos.

"Não há dúvidas que estamos, em grande parte, a tomar decisões certas. Simplesmente não estamos a agir com a rapidez necessária", garantiu Schumer.

Às voltas com o carvão

Só ao preferir eletricidade em vez de petróleo, gás ou outros combustíveis fósseis é que se vão atingir emissões líquidas nulas até 2050 e evitar a subida de temperaturas, reporta o estudo. Porém, a produção de eletricidade tem de ser baseada em fontes de baixo carbono.

"A mensagem é clara: simplesmente não vamos conseguir limitar o aquecimento a 1,5ºC se o uso de carvão continuar a bater recordes", explicou a investigadora.

Apesar do compromisso ser "reduzir gradualmente" pela maioria dos governos, o primeiro-ministro da Índia, Narenda Modi, celebrou este ano a marca de um milhão de toneladas de carvão produzidas e, pelos Estados Unidos da América, Donald Trump voltou a declarar apoio ao carvão e aos combustíveis fósseis – politicas que vão ter impacto no futuro, concluiu do estudo.

Ainda assim, China e os países membros da Europa investem e tentar contrariar progressivamente estes efeitos.

Apesar do recorde de uso de carvão, o estudo revela uma boa notícia: a energia solar é "a fonte de energia com o crescimento mais rápido da história". Mas ainda é escassa.

Para satisfazer as necessidades mundiais, a taxa de crescimento anual da energia solar e eólica precisa de duplicar para que o mundo consiga cortar as emissões em 2030. "A transição global é muito maior do que qualquer país individual, e o impulso está a crescer onde a energia limpa já é o caminho mais barato e fiável para o crescimento económico e segurança energética", declarou a investigadora sénior da WRI, Sophie Boehm.

Relembre-se que os líderes mundiais vão reunir-se no Brasil no próximo mês para a cimeira do clima da Organização das Nações Unidas (ONU). Na COP30 pretende-se discutir e descobrir o caminho certo para cumprir com o acordo climático de Paris.

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