Conselho Europeu sem acordo sobre ativos russos congelados. Bélgica bateu o pé
23 out, 2025 - 20:47 • Pedro Mesquita, enviado da Renascença a Bruxelas
O Conselho Europeu convida a Comissão a apresentar – “com a maior brevidade possível” - opções de apoio financeiro à Ucrânia. Primeiro-ministro português admite que "solução não está fácil de alcançar".
Não houve entendimento no Conselho Europeu, que está reunido em Bruxelas, sobre a utilização dos ativos russos congelados para financiar a Ucrânia.
Ao que a Renascença apurou, os chefes de Estado e de Governo europeus comprometem-se – apenas - a responder às prementes necessidades financeiras da Ucrânia nos próximos dois anos, incluindo os seus esforços militares e de defesa. Qual a fórmula a seguir ainda não se sabe.
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O Conselho Europeu convida a Comissão a apresentar, “com a maior brevidade possível”, opções de apoio financeiro com base numa avaliação das necessidades de financiamento da Ucrânia, e a que sejam prosseguidos os trabalhos para que seja possível regressar ao tema no próximo Conselho Europeu.
Quanto aos ativos da Rússia, insiste o Conselho, devem permanecer imobilizados até que o Presidente russo, Vladimir Putin, termine a guerra contra a Ucrânia e a indemnize pelos danos causados.
Em causa estão 140 mil milhões de euros em ativos russos.
"Solução não está fácil de alcançar", diz Montenegro
Em conferência de imprensa após a reunião do Conselho Europeu, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu que a solução para os ativos russos “não está fácil de alcançar”.
"Não devo esconder que é uma solução que não está propriamente fácil de alcançar e vai obrigar, nas próximas semanas, pelo menos até ao Conselho [Europeu] de dezembro, a um esforço adicional de negociação, de aproximação de posições e estudos técnico-jurídicos", afirmou Luís Montenegro.
O primeiro-ministro considera que a discussão sobre os ativos russos não pode "arrastar-se indefinidamente", mas "teremos de aguardar mais uma semanas para podermos ter uma proposta mais concreta".
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é o convidado especial da reunião que começou esta quinta-feira em Bruxelas.
Os 27 não alcançaram consenso sobre os ativos russos, mas aprovaram o 19.º pacote de sanções contra Moscovo, um dia depois de os Estados Unidos decretarem sanções contra petrolíferas da Rússia.
Por seu lado, Vladimir Putin disse esta quinta-feira que a Rússia nunca vai ceder à pressão dos Estados Unidos ou de qualquer outro país.
O Presidente russo adverte que a resposta a quaisquer ataques em profundidade no território russo seria muito séria e avassaladora.
As sanções dos EUA são um ato “hostil” e “terão certas consequências, mas não irão afetar significativamente o nosso bem-estar económico”, disse Putin. O setor energético russo sente-se confiante, acrescentou.
[notícia atualizada - com declarações de Luís Montenegro]
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