“Piscar de olho”: Israel obrigou Google e Amazon a criar mecanismo secreto de alerta sobre acesso a dados
29 out, 2025 - 19:32 • Redação
Google e Amazon aceitaram usar um código secreto para notificar Israel sobre partilhas de dados com autoridades estrangeiras. O acordo fez parte de um contrato de 1,1 mil milhões de euros assinado em 2021.
Google e Amazon aceitaram condições invulgares num contrato de computação na Cloud com o governo israelita, incluindo o uso de um sinal secreto para alertar Israel quando dados fossem partilhados com autoridades estrangeiras.
A exigência, conhecida como "mecanismo de piscar de olho", consta de documentos confidenciais, avança o “Guardian” esta quarta-feira.
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O acordo, assinado em 2021 e avaliado em cerca de 1,1 mil milhões de euros (1,2 mil milhões de dólares), faz parte do chamado Projecto Nimbus. Segundo a investigação, as empresas comprometeram-se a ajustar procedimentos internos e subordinar os seus contratos-padrão às exigências israelitas.
O mecanismo exigido por Israel consistia em incluir sinais ocultos nos pagamentos efetuados ao governo, como forma de o notificar quando dados israelitas fossem fornecidos a tribunais ou investigadores estrangeiros.
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O contrato Nimbus impõe ainda que Google e Amazon não possam suspender ou limitar o acesso do governo israelita aos seus serviços, mesmo que sejam violados os termos de utilização das empresas. Esta cláusula visa antecipar possíveis pressões de acionistas ou funcionários, sobretudo face a denúncias de abusos nos territórios palestinianos ocupados.
Fontes do governo israelita reconhecem que as empresas aceitaram exigências consideradas cruciais, como forma de garantir a adjudicação. Um memorando interno destaca que “[as empresas] compreendem as sensibilidades do governo israelita e estão dispostas a aceitar os nossos requisitos.”
A Microsoft, que também concorreu ao contrato, recusou aceitar algumas das exigências e viu a sua proposta rejeitada. Recentemente, a empresa decidiu desativar o acesso das forças armadas israelitas a um sistema de vigilância que operava na sua plataforma.
Durante a ofensiva israelita em Gaza, o exército apoiou-se fortemente nos serviços cloud para armazenar e processar grandes volumes de dados. Um desses conjuntos de dados, com chamadas interceptadas de palestinianos, esteve alojado na Microsoft até Agosto e, segundo fontes, seria transferido para a Amazon Web Services.
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