30 out, 2025 - 15:20 • Jaime Dantas
O especialista em assuntos internacionais e comentador da Renascença, Manuel Poêjo Torres, considera que o arranque de testes nucleares norte-americanos — conforme anunciado, esta quinta-feira, pelo Presidente Donald Trump —, pode levar à deterioração da segurança mundial, uma vez que "a competição, a corrida ao armamento, leva a desequilíbrios na raiz dos grandes conflitos mundiais".
Poêjo Torres encara este anúncio como um marcar de posição de Trump perante adversários como a China, um país que "duplicou o seu arsenal nuclear nos últimos cinco anos".
"A própria ambição política de Xi Jinping preocupa a administração de Trump e obriga-a a ter uma posição, porque se em cinco anos conseguem duplicar o seu arsenal, o que farão daqui a 10, 15, 20 anos? Poderão estar em pé de igualdade com o arsenal nuclear americano", argumenta.
Ainda assim, o consultor da NATO recorda, recorrendo ao caso russo, que o perigo que um país representa não se prende apenas com o número de armas que cada nação possui, mas sim com a qualidade do armamento.
"Enquanto os Estados Unidos têm duas ou três centenas de armas nucleares mais do que a Rússia, os veículos que os Estados Unidos apresentam e desenvolveram são bastante mais eficazes do que os veículos que a Rússia desenvolveu até o princípio desta década", refere.
Manuel Poêjo Torres assegura que um "cenário de terceira guerra mundial nuclear, garantidamente, não vai acontecer", dado "os objetivos políticos da arquitetura dos diferentes governos mundiais".
"Os russos sabem, os chineses desejam uns Estados Unidos agrilhoados a uma ambição de paz, porque é tudo aquilo que necessitam para continuarem a desenvolver, sem grandes preocupações, as suas tecnologias, os seus veículos balísticos e depois as suas tecnologias nucleares", elabora.
O investigador considera ainda que "está mal informado ou não leu convenientemente o relatório que lhe chegou às mãos" quando afirma que todas as potências nucleares estão a efetuar ensaios técnicos.
"Só existe uma nação à face do planeta que está a conduzir testes nucleares neste momento, chama-se Coreia do Norte. A Rússia o que fez com o seu Poseidon foi um teste ao veículo, não necessariamente um teste de proporções nucleares, até porque testes nucleares normalmente, quase sempre, são detetados e triangulados à sua origem", remata.