Política internacional
Bielorrússia criticada na ONU por repressão sistémica e tortura generalizada
03 nov, 2025 - 23:17 • Lusa
Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia, Igor Sekreta, rejeitou a maior parte das críticas, afirmando que os 193 países da ONU estão a intrometer-se "nos assuntos internos" do país.
A Bielorrússia foi esta segunda-feira criticada na Organização das Nações Unidas (ONU) por vários países, devido ao seu histórico em matéria de direitos humanos, tendo sido acusada de repressão sistémica, perseguições com motivações políticas e tortura generalizada.
Durante uma revisão da situação dos direitos humanos na Bielorrússia, na sede das Nações Unidas em Genebra, muitos diplomatas manifestaram profunda preocupação com a deterioração da situação, tendo sido feitas denúncias de atos que poderiam constituir "crimes contra a humanidade".
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
O embaixador da Noruega, Tormod Endresen, apelou à Bielorrússia para que "ponha fim à repressão sistémica e às perseguições com motivações políticas, incluindo a detenção, a tortura e a perseguição de opositores políticos e das suas famílias".
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia, Igor Sekreta, rejeitou a maior parte das críticas, classificando-as como "nos assuntos internos" do seu país, durante a revisão periódica universal (RPU), à qual os 193 Estados-membros da ONU são obrigados a submeter-se a cada quatro ou cinco anos.
Contestou especificamente as preocupações levantadas pelos diplomatas relativamente ao grande número de presos políticos que definham nas prisões bielorrussas. "Quero realçar que as tentativas de retratar os delinquentes (...) como presos políticos ou vítimas da liberdade de expressão são amplamente exageradas", garantiu.
Em críticas ecoadas por inúmeros outros diplomatas, a embaixadora britânica para os direitos humanos em Genebra, Eleanor Sanders, condenou a "repressão generalizada da sociedade civil, dos media independentes e da oposição política" na Bielorrússia desde 2020. As organizações de defesa dos direitos humanos estimam ainda o número de presos políticos na Bielorrússia em cerca de mil.
O país do leste europeu é governado desde 1994 por Alexander Lukashenko, um aliado próximo do presidente russo, Vladimir Putin.
Muitos destes reclusos foram detidos durante a repressão que se seguiu à contestada reeleição de Lukashenko em 2020 e estão a ser processados sob acusações que as organizações de defesa dos direitos humanos consideram politicamente motivadas.
A embaixadora da Bielorrússia, Larissa Belskaya, denunciou as tentativas dos países ocidentais de "manipular a questão, promovendo narrativas sobre a alegada ilegalidade dos resultados das eleições presidenciais", considerando esta uma tentativa de justificar sanções contra o seu país.
Os diplomatas instaram ainda a Bielorrússia a cessar o seu apoio à Rússia na guerra da Ucrânia.
Em resposta, o representante russo, Yevgeny Ustinov, descreveu a abordagem de vários países ocidentais relativamente à situação na Bielorrússia como politizada.
- Noticiário das 20h
- 15 jul, 2026







