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México

"Acorda, México!" Autarca mexicano morto a tiro durante festa do Dia dos Mortos

04 nov, 2025 - 23:14 • Redação

"Não quero ser mais um presidente de câmara na lista dos que foram executados e a quem tiraram a vida", agoirava Carlos Manzo em setembro, que acabou por ser o sétimo presidente de câmara assassinado em Michoacán desde 2022.

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O presidente da câmara de Uruapan do estado de Michoacán, Carlos Manzo, foi morto a tiro durante as celebrações típicas mexicanas na noite de 31 de outubro, o apelidado Dia dos Mortos. A fatalidade ocorreu após um histórico de críticas do autarca contra a atuação da Presidente do México, Claudia Sheinbaum, ao combate à criminalidade, considerando-a um "fracasso".

Reconhecido pelos populares por defender uma política de tolerância zero contra o narcotráfico e apelos constantes a um reforço da segurança do país, Manzo foi atingido por seis disparos na praça principal da cidade. O ataque ao candidato independente eleito em 2024 aconteceu momentos depois de aparecer, em público, com o filho nos braços.

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Para além de incomodar as figuras do governo federal do México, Carlos Manzo era um denunciante da insegurança que se vive no México pelo crime organizado, até dos criminosos que atacam produtores de abacate e de lima por denunciarem esquemas de extorsão na cidade de 350 mil habitantes onde era autarca – produções agrícolas que são um motor económico em Uruapan.

"Precisamos de maior determinação por parte da Presidente do México", disse Manzo numa entrevista radiofónica em setembro, acrescentando que não daria "um único passo atrás". Porém, quando confrontado sobre a própria segurança, confessou ter "muito medo".

"Não quero ser mais um presidente de câmara na lista dos que foram executados e a quem tiraram a vida", agoirava Carlos Manzo, que acabou por ser o sétimo presidente de câmara assassinado, com 40 anos de idade, em Michoacán desde 2022.

Ainda não é claro o número de pessoas envolvidas no tiroteio, mas já foram detidos dois suspeitos e um terceiro estava já morto, informou o Ministério da Segurança do México no sábado passado.

Em reação à morte, manifestantes invadiram o Palácio do Governo de Michoacán no próprio dia da morte da Manzo, destruindo escritórios e atirando móveis pelas janelas. Gritavam "Fora, Claudia" e "Claudia assassina!", exigindo justiça e o fim da violência e da corrupção.

Foto: Ivan Villanueva/EPA
Foto: Ivan Villanueva/EPA
Foto: Ivan Villanueva/EPA
Foto: Ivan Villanueva/EPA
Foto: Ivan Villanueva/EPA
Foto: Ivan Villanueva/EPA

Nesta terça-feira, protestaram nas ruas da cidade amordaçados com gases, gotas de sangue improvisadas e de cartazes ao peito: "Acorda, México! Estão a matar-nos por abrir a boca e dizer as verdades."

Sheinbaum condenou o ataque na rede social X (antigo Twitter) e expressou condolências à família face à "perda irreparável", prometendo reforçar a estratégia de segurança do país. "Vamos reforçar o nosso compromisso de mobilizar todos os esforços do Estado para alcançar a paz e a segurança, com zero impunidade e com justiça."

O ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, assegurou também que "não haverá impunidade" e que as autoridades continuariam a tentar perceber mais detalhes sobre o ataque. "Enviamos as nossas mais profundas condolências à família, aos entes queridos e aos habitantes de Uruapan, que estão a viver uma perda dolorosa e injusta às mãos do crime organizado."

Frequentemente visto a usar um colete à prova de balas, o autarca apoiava a ideia de matar indivíduos suspeitos de atacarem civis ou as autoridades. Manzo vai ser lembrado como "Bukele mexicano" em referência ao líder de El Salvador, Nayib Bukele, que conduziu uma repressão violenta contra gangues no seu país e suscitou preocupações relativas aos direitos humanos.

Este crime aconteceu no contexto das tensões entre os governos norte-americanos e mexicanos, já que o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, tem acusado o México de não agir, com eficácia, contra o crime organizado e imigração irregular, classificando os cartéis como "terroristas".

Desta vez, o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, escreveu nas redes sociais sobre o ataque, partilhando uma fotografia de Manzo com o seu filho pequenos momentos antes do assassinato.

"Os EUA estão prontos para aprofundar a cooperação em matéria de segurança com o México para erradicar o crime organizado de ambos os lados da fronteira", disse Landau.

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