07 nov, 2025 - 09:15 • Olímpia Mairos
A Rússia tem capacidade para lançar um ataque limitado contra o território da NATO a qualquer momento, embora a decisão de o fazer dependa da postura dos aliados ocidentais. O alerta foi feito pelo tenente-general Alexander Sollfrank, em entrevista à Reuters.
“Se analisarmos as capacidades e o poder de combate atuais da Rússia, ela poderia iniciar um ataque de pequena escala contra o território da NATO já amanhã”, afirmou o alto oficial militar alemão.
Segundo Sollfrank, um eventual ataque seria “pequeno, rápido e regionalmente limitado”, já que Moscovo continua fortemente envolvida na guerra da Ucrânia.
Chefe do Comando de Operações Conjuntas da Alemanha e responsável pelo planeamento de defesa do país, o general também subscreve as advertências da NATO de que a Rússia poderá estar em condições de montar um ataque em grande escala contra a aliança de 32 membros até 2029, caso mantenha o ritmo atual de rearmamento.
O presidente Vladimir Putin rejeita qualquer intenção agressiva, alegando que a invasão da Ucrânia, em 2022, foi uma resposta defensiva às “ambições expansionistas” da NATO.
Sollfrank destacou que, apesar dos reveses no campo de batalha ucraniano, a força aérea russa mantém um poder de combate substancial, e as forças nucleares e de mísseis permanecem intactas. Embora a Frota do Mar Negro tenha sofrido perdas consideráveis, as restantes frotas navais continuam operacionais.
“As forças terrestres estão a sofrer baixas, mas a Rússia afirma pretender aumentar o número total de tropas para 1,5 milhões de soldados”, observou. “Além disso, dispõe de tanques de combate suficientes para tornar concebível um ataque limitado já amanhã.”
O general considera que a decisão de Moscovo atacar a NATO dependerá de três fatores principais: a força militar da Rússia, o seu histórico de operações e a sua liderança política.
“Estes três fatores levam-me à conclusão de que um ataque russo é possível. Se isso acontecer ou não, dependerá em grande medida do nosso próprio comportamento”, afirmou, referindo-se aos esforços de dissuasão da aliança.
Sollfrank também destacou que as táticas de guerra híbrida de Moscovo — incluindo incursões com drones — devem ser vistas como parte de uma estratégia integrada que abrange igualmente a guerra na Ucrânia.
“Os russos chamam a isto ‘guerra não linear’. Na sua doutrina, trata-se de uma guerra que ocorre antes do uso de armas convencionais. E, ao ameaçarem utilizar armas nucleares, praticam uma forma de guerra por intimidação”, explicou.
Segundo o general, o objetivo de Moscovo é provocar a NATO e avaliar as suas reações, com o intuito de semear insegurança, espalhar medo, causar danos, espiar e testar a resiliência da aliança.