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“Porque haveria de ter medo?”: Zelensky diz não temer Trump e nega pressões da Casa Branca

09 nov, 2025 - 19:33 • Fábio Monteiro

Volodymyr Zelensky garante não ter medo de Donald Trump e rejeita relatos de tensões em Washington. Em entrevista ao “Guardian”, o presidente ucraniano destaca o apoio do rei Carlos III e alerta para riscos de novos ataques russos na Europa.

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou não ter medo em relação a Donald Trump, ao contrário de outros líderes ocidentais, e rejeitou relatos de tensão durante o seu último encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos, em Washington.

Em entrevista ao “Guardian” este domingo, garantiu manter uma relação “normal” e “construtiva” com Trump.

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Zelensky negou que Trump tenha tido um comportamento hostil durante a reunião em outubro, desmentindo que o republicano tenha “atirado mapas” ou pressionado Kiev a aceitar os termos de Moscovo.

“Ele não atirou nada. Tenho a certeza”, garantiu o chefe de Estado ucraniano.

Durante o encontro, a delegação ucraniana apresentou medidas sucessivas que incluíam armamento e sanções económicas para enfraquecer Moscovo e forçar Vladimir Putin a negociar. Zelensky garantiu que os dois países permanecem aliados.

“Não somos inimigos da América. Somos amigos. Então, porque haveríamos de ter medo?”, questionou.

O presidente revelou ainda que o rei Carlos III desempenhou um papel discreto, mas importante na reaproximação entre Trump e a Ucrânia. Durante uma visita oficial em setembro, o monarca britânico reuniu-se a sós com Trump. “Não sei os detalhes, mas sei que Sua Majestade enviou sinais importantes”, explicou Zelensky.

Com o Inverno a aproximar-se, Zelensky voltou a pedir apoio militar e logístico aos aliados europeus. Manifestou interesse em adquirir 27 sistemas de defesa Patriot, lamentando a recusa de envio de aviões de combate.

Quanto ao eventual envio de tropas britânicas para a fronteira com a Bielorrússia, considerou a presença desejável, mas politicamente sensível. “Se insistirmos demasiado, podemos perder apoio financeiro e militar”, reconheceu.

O chefe de Estado também alertou para uma possível abertura de uma nova frente por parte da Rússia noutro país europeu, criticando o ceticismo europeu quanto às intenções expansionistas de Putin. “Ele pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, advertiu.

Zelensky assegurou que Moscovo sofre pesadas perdas, apontando 25 mil baixas russas só em outubro. Considerou ainda que a Rússia vive um impasse militar e recorre agora a uma “guerra híbrida contra a Europa”, com episódios como drones sobrevoando aeroportos europeus.

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