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Guerra na Ucrânia

"Achei que era fake". Associação pede fim do apoio a refugiados pró-Putin em Portugal

10 nov, 2025 - 06:30 • André Rodrigues

Carta da Associção dos Ucranianos em Portugal pede ao ministro da Presidência que suspenda a proteção a refugiados que difundem opiniões favoráveis à Rússia. Associação Batkivshina, dirigida por antigo jornalista ucraniano que chegou a Portugal em abril de 2022, divulga uma visão da guerra oposta à do Ocidente.

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A Associação dos Ucranianos em Portugal pede ao Governo que retire os apoios a refugiados ucranianos apoiados pelo Estado e que divulguem posições favoráveis à Rússia.

É esse o pedido que acaba de ser enviado através de uma carta remetida ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, a que a Renascença teve acesso.

Na missiva, assinada por Pavlo Sadokha, é referido o uso "de forma ativa ou passiva" de cidadãos ucranianos ao serviço da narrativa de guerra russa.

"Recentemente descobrimos que esses 'agentes' de desinformação russa operam também em Portugal. E, o mais chocante, é que recebem apoio financeiro do governo português enquanto se apresentam como refugiados da agressão russa desde 2022", pode ler-se.

Em causa está a Associação Batkivshina – ‘Pátria’, em ucraniano - dirigida por Oleksandr Nesterenko, um antigo jornalista ucraniano que chegou a Portugal como refugiado em abril de 2022 e, desde então, divulga notícias e artigos de opinião em língua portuguesa com posições distintas da visão ocidental do conflito.

"Primeiro, achei que era ‘fake’, mas depois comecei a ver que na página estava lá o estatuto", diz à Renascença Pavlo Sadokha, que recorda que Nesterenko "já esteve em Portugal há 10 anos, ou há 15 anos, e já fazia algumas revistas relacionadas com política, dizendo que os tempos da União Soviética é que eram bons tempos".

Através de uma consulta à lista de refugiados que receberam o apoio para pessoas deslocadas da Ucrânia, o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal diz ter descoberto que também Oleksandr Nesterenko recebe este apoio.

"Depois, também percebemos que este homem participa em vários eventos contra a Ucrânia, inclusivamente os que são organizados pelo PCP, que também defende o fim dos apoios à Ucrânia. E, finalmente, descobrimos que todos aqueles agentes pró-Putin que estão nas redes sociais em Portugal estão sempre a fazer publicidade a este homem, que é mostrado como um ucraniano com outra visão do conflito entre a Rússia e a Ucrânia", acrescenta.

Nestas declarações à Renascença, Pavlo Sadokha admite que este não seja caso único e que haverá outros cidadãos ucranianos que em Portugal ao abrigo do regime de proteção internacional, mas que participam ativamente nas redes sociais com posições favoráveis à Rússia.

Questionado sobre possíveis falhas por parte do Estado na forma como atribui estes apoios, Sadokha reconhece que "é muito difícil fiscalizar, porque não há como perguntar se um ucraniano que pede o estatuto de proteção temporária apoia Putin ou não".

No entanto, sublinha, "quando sabemos destes factos, avisamos o Estado português para que tenha uma reação. E eu acho que este tipo de homens tem de deixar de ter apoio do Estado português".

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