11 nov, 2025 - 17:13 • Redação, com agências
O presidente da câmara de Istambul e principal rival político do Presidente da Turquia, Ekrem İmamoğlu, enfrenta acusações de suborno e extorsão e foi esta terça-feira formalmente acusado de 142 crimes, indicou o Ministério Público da cidade. O acusado é o autarca da maior cidade turca e é um crítico ativo da presidência de Recep Tayyip Erdoğan.
Sob um conjunto de queixas, İmamoğlu arrisca uma pena que pode chegar aos 2352 anos de prisão – uma medida vista como um ataque politicamente motivado por representar a oposição nacional.
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Detido desde 19 de março de 2025 sob a suspeita de "corrupção", os oficiais de justiça indiciam o rival, entre outros 402 suspeitos, numa acusação com quase quatro mil páginas, com crimes como: direção de uma organização criminosa, suborno, peculato, branqueamento de capitais, extorsão e manipulação de concursos públicos.
Entre os suspeitos, encontram-se colaboradores próximos do presidente da câmara de Istambul, que foram detidos ao mesmo tempo que İmamoğlu pelos procuradores turcos. O procurador-geral de Istambul afirmou ainda esta terça-feira que este grupo de acusados já causou prejuízos na ordem dos 3.300 milhões de euros ao Estado turco ao longo de uma década.
A detenção de İmamoğlu tem provocado indignação e manifestações em todo o país, porque acreditam que esta acusação tem o objetivo de impedir que o rival de Erdogan de se candidate à presidência nas eleições de 2028. Aliás, o partido rival lançou uma petição para a libertação do autarca que já conta com mais de sete milhões de assinaturas num país com 85 milhões de habitantes.
"O seu único crime é querer ser Presidente deste país. O propósito é travar o Partido Republicano do Povo, que venceu as últimas eleições autárquicas, e impedir o seu candidato presidencial", denuncia o líder do partido de oposição turca, Özgür Özel, que também carrega vários processos judiciais.
A lista sem fim de alegados crimes foi interpretada até, com uma certa ironia, por Özel num discurso no parlamento turco sobre o "inocente" İmamoğlu: "Pode alguém ser, ao mesmo tempo, um fraudulento eleitoral, possuir um diploma falso, ser ladrão, terrorista e espião?", criticou.
Ainda na mesma acusação, os procuradores afirmam ter apresentado documentos ao Supremo Tribunal de Recurso contra o CHP, o que, segundo observadores, poderá abrir caminho para a dissolução do partido de oposição. Contudo, a procuradoria de Istambul contradiz os funcionários e nega querer extinguir o partido.