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Estados Unidos

Trump "sabia das raparigas", alegou Jeffrey Epstein em novos emails

12 nov, 2025 - 15:02 • João Pedro Quesado

Nos emails, Epstein escreve que uma vitíma "passou horas" na sua casa com Trump. O Presidente dos EUA tem rejeitado qualquer envolvimento da rede de tráfico sexual de menores.

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Jeffrey Epstein alegou que Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), sabia das raparigas que Epstein traficava com fins sexuais. A revelação surge em novos emails de Jeffrey Epstein, revelados pelos democratas na Câmara dos Representantes.

Os três emails, revelados pelos democratas na comissão de supervisão e reforma do governo, fazem parte de materiais entregues pelos responsáveis do espólio de Epstein aos investigadores da comissão — encarregue de investigar o caso de Jeffrey Epstein, que morreu em 2019.

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"Claro que ele sabia das raparigas, pois ele pediu à Ghislaine [Maxwell] para parar", afirma Epstein num email de 2019 para o escritor Michael Wolff, em que refere que Trump lhe pediu "para sair" do clube de Mar-a-Lago, na Flórida.

Ghislaine Maxwell é uma coconspiradora na rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein. Condenada em 2021 por tráfico sexual infantil, está atualmente a cumprir pena de prisão de 20 anos numa prisão de segurança mínima no Texas, para onde foi transferida este verão.

"Quero que percebas que o cão que não ladrou é Trump", escreve Epstein a Maxwell em 2011, aparentemente referindo que Trump não tinha revelado detalhes sobre as suas atividades criminosas. Depois, referiu: uma vítima "passou horas na minha casa com ele", e Trump "nunca foi mencionado uma única vez".

Noutra troca de emails, de 2015, Michael Wolff revela que a CNN planeia questionar Trump sobre a relação com Jeffrey Epstein. Depois, diz que Epstein o deve "deixar entalar-se sozinho", porque Trump negar ter estado "no avião ou na casa" e dá a Epstein "moeda de troca política".

"Podes entalá-lo de uma forma que potencialmente gera um benefício pessoal para ti, ou, se parecer que ele pode ganhar, podes salvá-lo, gerando uma dívida", escreve Wolff, numa altura em que Donald Trump ainda era apenas um dos muitos candidatos à nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2016. A seguir, diz: "É possível que, quando questionado, ele vá dizer que o Jeffrey é um grande tipo e ficou com má fama e é uma vítima do politicamente correto, que vai ser proibido num regime Trump".

Em reação, a Casa Branca afirmou que os democratas "libertaram emails seletivamente para os média liberais para criar uma narrativa falsa para denegrir o Presidente Trump".

Já os republicanos da Comissão de Supervisão divulgaram esta quarta-feira mais 20 mil documentos provenientes do espólio de Jeffrey Epstein.

Donald Trump tem negado qualquer papel na rede de tráfico sexual de menores de Jeffrey Epstein, e nenhuma prova divulgada, até agora, confirma o seu envolvimento. No entanto, os democratas consideram que os poucos documentos não públicos entregues pelo atual Departamento de Justiça são prova de que há um encobrimento sobre o papel de Trump em todo o caso.

Em julho, o "Wall Street Journal" avançou que o nome de Donald Trump surgia nos ficheiros do caso Epstein, e que o Presidente dos EUA teria sido informado disso numa reunião, em maio.

Epstein morreu em 2019, na cela em que estava detido. O motivo da morte, alvo de várias teorias, ficou oficialmente registado como suicídio por enforcamento — algo contestado pelos advogados de Jeffrey Epstein.

Quando morreu, Epstein tinha sido detido pela segunda vez por acusações federais de tráfico sexual de menores. A morte levou à rejeição das acusações por um juiz, mas as relações de Jeffrey Epstein com Trump e André Mountbatten Windsor (que perdeu o título de príncipe do Reino Unido devido à relação com Epstein) continuam a atrair controvérsia.

[notícia atualizada às 23h03, com informação da divulgação de 20 mil documentos pelos republicanos]

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