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Trump sente "obrigação" de processar a BBC por edição de discurso

12 nov, 2025 - 12:53 • João Pedro Quesado

Documentário emitido antes das eleições presidenciais de 2024 junta duas frases separadas por quase uma hora de discurso. O diretor-geral e a diretora de informação demitiram-se, mas Trump pede mais para não avançar para os tribunais.

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Donald Trump sente a "obrigação" de processar a BBC pela edição do discurso feito antes do ataque ao Capitólio. O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) ameaça pedir mil milhões de dólares de indemnização à televisão pública britânica.

"Acho que tenho uma obrigação de o fazer, não se pode permitir que as pessoas façam isso", afirmou Trump em entrevista à Fox News. "Acho que tenho de o fazer. Defraudaram o público e admitiram-no. Isto dentro de um dos nossos grandes aliados".

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"Mudaram o meu discurso de 6 de janeiro, que foi um discurso lindo, que foi um discurso muito calmante, e fizeram-no soar radical. Mostraram-me os resultados de como o massacraram", continuou. "Foi muito desonesto e o diretor saiu e muitas outras pessoas saíram".

Donald Trump refere-se ao documentário "Trump: Uma Segunda Hipótese?" ("Trump: A Second Chance?", em inglês), transmitido uma semana antes da eleição presidencial de 2024, que o atual Presidente venceu. No documentário, mostra-se o discurso de Trump à multidão frente à Casa Branca, a 6 de janeiro de 2021, antes do ataque dos seus apoiantes ao Capitólio, sede do Congresso dos EUA.

A edição do documentário sugere que Trump disse: "Vamos caminhar até ao Capitólio e estarei lá convosco, e lutamos. Lutamos com tudo" ("fight like hell", no original). Contudo, segundo a transcrição, Trump disse "Vamos caminhar até ao Capitólio e vamos aplaudir os nossos corajosos senadores e congressistas, e provavelmente não vamos aplaudir tanto alguns deles". A frase "fight like hell" surge quase no fim do discurso, cerca de uma hora depois, após falar de corrupção e de imigração: "Lutamos com tudo. E se não lutarmos com tudo, não vamos continuar a ter um país".

O escândalo rebentou quando o jornal "The Telegraph" revelou, a 3 de novembro, um documento interno criado por um elemento da comissão de padrões da BBC, que apontava a edição como prova de um viés. Depois de uma semana de pressão, o diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a diretora de informação, Deborah Turness, demitiram-se, e o presidente pediu desculpa publicamente pela edição.

Apesar disso, a BBC tem até sexta-feira para responder à ameaça dos advogados de Trump, enviada no passado domingo, pedindo mil milhões de dólares de indemnização se a empresa não pedir desculpa e oferecer uma compensação. Dado que a BBC é financiada de forma semelhante à RTP — uma contribuição audiovisual de 174,5 libras por ano, não associada à fatura da eletricidade —, uma compensação a Trump significaria utilizar dinheiro dos cidadãos britânicos para pagar a um chefe de Estado estrangeiro.

Donald Trump já conseguiu compensações da CBS e da ABC, depois de ameaçar com processos multimilionários, mas não conseguiu o mesmo em outros casos, como com a CNN.

Especialistas legais ouvidos pelo "The Guardian" e pelo "Financial Times" apontam que o facto de o programa não estar disponível na Flórida (os programas da BBC apenas estão disponíveis no Reino Unido), e o não ser fácil provar danos provocados pelo documentário, podem dificultar o caso para Trump.

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